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Assunto: Madeira plstica tem que ser de lei
País: Brasil
Fonte: No mnimo- Marcos S Correa - Tera-feira, 02 de maro de 2004
Data: 3/2004
Enviado por: Marcos S Correa
Curiosidade (texto):
Calma. O planeta ainda no chegou ao ponto de lhe pedir para mobiliar a casa com madeira plstica. Mas est ficando difcil explicar por que ainda preciso derrubar rvores para fazer banco de jardim, mesa de varanda, mouro de cerca, caibro de telhado, estaca de per ou deque de piscina. Tudo isso j se faz sem ligar a motosserra, com ripas que vm do lixo, em vez de serem arrancadas das florestas. E s vezes que feito com ela sai at melhor do que antes, como acontece com os dormentes. Nesse caso, posta sob as linhas ferrovirias, onde as toras clssica de eucalipto, encharcadas de creosoto, porejam ao longo de sua vida til, um veneno capaz de contaminar o solo, a madeira plstica brilha como trilhos, indicando o caminho por onde certamente correro as estradas de ferro do futuro. que, ao contrrio da madeira natural, a plstica vem de fbrica imunizada contra fungos, cupins e outras pragas. Dura, deixada ao tempo, pelo menos 50 anos, sem tratamentos txicos. Resiste a cargas de at 80 toneladas, que reduziriam dormentes convencionais a maos de farpas. E amortece as vibraes que esmerilham rolamentos nas rodas dos trens, coisa que um bloco de concreto no faz. Mas o melhor que a madeira plstica feita de frascos, garrafas, copos descartveis, embalagens e outros fantasmas de poliolefina que poluem a xepa urbana. Sobretudo no Brasil, onde 76% dos resduos so jogados a cu aberto e a nata de PET que bia na Baa de Guanabara tem sido o indcio mais persuasivo de que o programa de despoluio botou fora onze anos e US$ 800 milhes de dlares. Ver a madeira plstica brotar como pasta de bisnaga - com forma, textura e at cor da madeira verdade - do caldo de entulho petroqumico digerido pela mquina parece mgica at para quem aposta pesado nesse novo trunfo da reciclagem. "Sempre que vejo ela saindo do molde eu me impressiono como da primeira vez", diz Geraldo Pilz, que fabrica por semana trs toneladas de madeira alternativa na Baixada Fluminense. Ele dono da Cogumelo, uma fbrica de perfis em fibra de vidro plantada em Campo Grande, a antiga Zona Rural do Rio de Janeiro. Pilz tem 65 anos. Sua fbrica, 31. Mas ambos ainda vivem correndo atrs de atrs de novidades. Ele aquele tipo de empresrio que conversa com a mo no ombro do funcionrio, "para ele relaxar". Formou-se em economia, mas vai logo avisando que no tem nem quis ter M.B.A., o diploma americano de mestrado em administrao que se traduz em portugus por altos salrios em administrao de empresas. "Eu s tenho T.B.C.", declara. T.B.C. quer dizer: "Tire a Bunda da Cadeira". o mesmo diploma que ele cobrou do filho, para quem vai agora passando aos poucos as rdeas da empresa. Daniel Pilz nasceu no mesmo ano da Cogumelo, fez em desenho industrial. Foi campeo sul-americano de wind-surf e andou metido com pra-quedismo e vo-livre. Estava quase se profissionalizando em esportes radicais quando o pai o chamou da Austrlia para cursar o T.B.C. em Campo Grande. Chamar a Cogumelo de empresa familiar eufemismo. Alm de Daniel, urea, a mulher de Geraldo, trabalha na administrao da fbrica. Os trs tm o hbito de chegar cedo e sair, comer de bandejo e encaixar visitas a clientes em viagens de recreio. O filho, nos fins de semana, veste a camiseta da firma e carrega sempre em cima do carro, um Land Rover, as escadas de alumnio e fibra de vidro que foram o penltimo lanamento da fbrica, antes da madeira plstica. um modo de mostrar ao mundo que ela existe. Essas escadas desembarcaram no Brasil h poucos anos. Ao resolver produzi-las aqui, com licena da Werner Ladders americana, Pilz foi visitar pessoalmente velhos fabricantes de escadas de madeira no mercado nacional, para lhes falar das excelncias do similar em liga leve. Queria, na poca, oferecer-lhes a matria-prima. "Mas eles me puseram para correr e no tive outro jeito seno fabricar eu mesmo as escadas", c