• Patrocinado por:

  • Busca

    Palavra Chave:

    Data:





Curiosidades


Assunto: Nos Novos Aterros Sanitrios Voltaram a Surgir Os Velhos Problemas de Poluio Ambiental
País: Portugal
Fonte: Net Resduos
Data: 5/2004
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
A "limpeza do sculo", como foi chamado o fim das lixeiras no pas, afinal no est a funcionar assim to bem. Os novos aterros sanitrios esto a confrontar-se com mazelas como a falta de tratamento dos lixiviados, a contaminao das guas, os maus cheiros e at incndios, a que se somam problemas de financiamento, aumento dos resduos e lentido na reciclagem. O PBLICO revela dados das inspeces feitas nos ltimos trs anos a essas infra-estruturas e apresenta alguns casos sintomticos.

H cerca de um ano, Portugal vivia a iluso de ter resolvido o problema do lixo. Um total de 341 lixeiras estavam desactivadas. No seu lugar, alm de incineradores e centrais de compostagem, foram construdos modernos aterros sanitrios. Foi "a limpeza do sculo", como exaltou um livro lanado em Fevereiro de 2002 pela "holding" estatal guas de Portugal, que participa na maior parte dos sistemas de gesto de lixo do pas. Os cuidados na construo dos novos aterros, dizia o livro, "garantem a completa inoquidade para o ambiente e sade das pessoas". Com isso, cem por cento da populao portuguesa estava servida por tratamento adequado para os seus resduos domsticos.

Relatrios da Inspeco-Geral do Ambiente mostram que o resultado prtico no bem este. Nos ltimos trs anos - de Dezembro de 1999 a Dezembro de 2002 - foram fiscalizados 27 dos 37 aterros onde hoje se depositam lixos urbanos. E o que os inspectores encontraram foi um rosrio impressionante de problemas.

Vinte dos 27 aterros (praticamente trs em cada quatro) enfrentavam dificuldades vrias com o tratamento dos lixiviados - o lquido poludo que escorre dos resduos e que o principal agente de contaminao de um depsito de lixo. Estaes de tratamento no funcionavam, lixiviados alagavam clulas de resduos, ressurgiam dos taludes e eram descarregados nos esgotos e ribeiras com nveis elevados de poluio.

Em onze aterros, no era possvel saber com segurana se as guas superficiais ou subterrneas estavam livres de poluio, pois a monitorizao era deficiente ou mesmo inexistente. Em quatro, identificaram-se situaes de contaminao - algumas nitidamente relacionadas com os modernos depsitos de lixo.

H aterros que receberam indevidamente resduos perigosos. Outros enfrentaram focos de incndio que danificaram as telas de impermeabilizao. Problemas derivados da forma como o lixo depositado - como a cobertura deficiente com terra, maus cheiros e presena abundante de aves - tambm foram assinalados pelos inspectores.

Vrios procedimentos legais obrigatrios no estavam a ser cumpridos. Havia furos sem licena, descargas de efluentes sem licena, recebimento de resduos industriais sem licena, aproveitamento de leos usados sem licena. O mais surpreendente que 18 aterros foram inaugurados sem autorizao prvia de funcionamento - uma situao entretanto resolvida.

O rol de mazelas dos novos aterros extravasa o retrato pintado pelos relatrios da Inspeco-Geral do Ambiente (ver textos nestas pginas). Alguns sistemas multimunicipais de tratamento de lixo enfrentam dificuldades financeiras porque h autarquias que no pagam atempadamente a factura da deposio dos resduos nos aterros - de que so donas e clientes, ao mesmo tempo. Com isto, torna-se ainda mais complicado resolver os problemas j existentes. H muitas lixeiras que efectivamente deixaram de funcionar, mas no foram seladas e continuam a poluir os solos e guas. A quantidade de lixo produzida no pas continua a crescer e alguns aterros esto a esgotar-se rapidamente.

Crticas ao governo PS
Para ter um quadro mais preciso do que se passa, o Ministrio das Cidades, do Ordenamento do Territrio e do Ambiente adjudicou, j este ano, uma auditoria a dez sistemas de gesto de lixo (Amarsul, Valnor, Valorlis, Amtres, Algar, Amartejo, Vale do Sousa, Resioeste, Planalto Beiro e Braval). A ideia destas auditorias foi lanad