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Curiosidades


Assunto: O encanto do lixo
País: Brasil
Fonte: www.reciclaveis.com.br
Data: 3/2005
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Onde os olhos da maioria s vem sujeira e mau cheiro, as mos de Maverick enxergam e tateiam novas possibilidades. Um liqidificador abandonado pode se tornar o eletrodomstico que faltava na cozinha de uma outra dona de casa; um brinquedo quebrado pode alegrar a brincadeira de um novo menino. Um culos colorido, faltando uma perna, vira acessrio fashion. Atravs de pequenos remendos e alguns retoques, ele cuidadosamente recria objetos encontrados no lixo; transforma a indiferena de um no sorriso do outro. Com olhos de poeta, consegue vislumbrar beleza onde parece haver apenas feira. Com coragem de artista, encara o lugar que a sociedade optou por desprezar.

"J peguei muita coisa boa no lixo. Foi com ele que criei minha obra de arte", diz, apontando orgulhoso o carro que construiu com material reciclado. Pintada com as cores do Esporte Clube Bahia, a mquina no-motorizada toda enfeitada com CDs, cmeras fotogrficas, aparelhos celulares, latas, garrafas plsticas, bonecos e at uma raposa. Tambm tem som, televiso e buzina de Kombi, que funcionam graas a uma bateria de carro. "Isso aqui meu xod, meu ganha po", revela, com olhos que deixam perceber a emoo de quem suou muito pra alcanar um objetivo. Ele no sabe ao certo quantas peas enfeitam seu carro, ou quantos objetos esto dispostos em sua oficina de reciclagem, localizada no bairro do Vale da Murioca, mas garante que nota a ausncia de qualquer um deles.

Admiradores

Que ningum se engane achando que Maverick topa qualquer parada. "Eu no vou em qualquer lixo no, s nos bairros que d pra tirar alguma coisa!", alardeia. Agora, por exemplo, ele j tem seu ponto fixo: os tonis do Parque So Brs, na Federao. Tambm no gosta de fazer baguna nas lixeiras alheias, nem deixa que seus colegas catadores faam. "Quando vejo algum mexendo na minha rea, digo: ‘‘‘‘panhe‘‘‘‘ o que voc quiser e coloque o resto na lixeira de novo, que voc nem devia t aqui agora", reclama.

Trabalhando com seu carro h oito anos, Maverick j conquistou uma srie de admiradores. Muitos trazem at sua oficina peas para serem doadas. Alguns o chamam quando ele passa pela rua, j com objetos separados para lhe entregar. Ele analisa tudo que recebe cuidadosamente, ao lado das peas que recolhe em suas caminhadas dirias, que comeam s 6h30 e s terminam por volta do meio-dia. Muitas vezes, nem almoa, ansioso por explorar as novas aquisies. "Separo o alumnio e o papelo, porque esses valem mais e so vendidos. Depois, vejo as outras coisas. Uma vez, mudei s uma pea numa televiso e ela voltou a funcionar. Relgio, s trocar a pilha. Tem ventilador, roupas, sapatinho de beb. Daqui pago minha gua, minha luz e minha comida".

Na oficina de Maverick, tudo foi feito com peas recicladas. O espao, que comeou apenas com uma parede, j abriga centenas de utenslios, que vo desde calotas de pneus de carro, at mesas e sofs, passando por todo tipo de roupa e diversos recipientes. Alguns esto pela metade, faltando um pedao, mas nada desprezado. Chegam a passar anos ali, espera de um destino. "Tem at gente que joga as coisas fora e depois vem procurar", diz. A oficina j funciona como uma espcie de loja para a comunidade. Gente que muitas vezes nem tem dinheiro, mas nunca sai de mos vazias.

No meio da conversa, uma adolescente entra no recinto empoeirado, com peas organizadas numa disposio que somente seu criador conhece de cor e salteado. "Quanto custa?", indaga, apontando uma bolsa de camura marrom que aparenta perfeito estado de conservao. "Trs reais". Ela sorri meio sem graa: "S tenho dois". Maverick consente com um aceno de cabea, e a jovem sorri, satisfeita com a nova aquisio.

Seu visual um captulo parte: comeou quando encontrou um guarda-p branco<