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Assunto: O destino do lixo
País: Brasil
Fonte: www.abrelpe.com.br
Data: 5/2005
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Dono de um valioso patrimnio ambiental, h anos o Estado do Rio v sua riqueza ameaada pela ausncia de polticas de coleta seletiva de lixo e reciclagem. De acordo com a Comisso de Meio Ambiente da Assemblia Legislativa do Rio, dos 92 municpios fluminenses, 67 ainda convivem com o risco de terem seus lenis freticos e recursos hdricos contaminados por lixes, onde milhares de famlias catam, literalmente, o seu ganha-po. Mas iniciativas pontuais em algumas cidades trazem esperana a este panorama assustador para ambientalistas, ainda que no representem, quantitativamente, grandes avanos na rea de reciclagem.
o caso de Niteri, que alm de ter o maior ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado, gaba-se de ter sido a cidade pioneira na implantao de um sistema de coleta seletiva, hoje uma realidade entre 20% da populao do municpio. Orgulho maior ainda para os moradores do bairro de So Francisco, onde o projeto de triagem de lixo criado pelo professor Emlio Eigenheer completa 20 anos este ms.

L, 50% dos moradores, algo em torno de 1.200 residncias, j separam o material reciclvel do lixo orgnico antes de jogar tudo nas caambas.

Esta a rotina na casa de Irinete dos Santos, moradora de So Francisco. Ela e o marido Genival foram um dos primeiros casais a aderir coleta seletiva, logo depois que Emlio, formado em filosofia, voltou da Alemanha com idias sobre reciclagem e comeou a bater de porta em porta em busca de parceiros, com o apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF).

- Um pessoal da UFF veio aqui e explicou que deveramos separar vidro, papel e papelo. Nunca tinha ouvido falar nisso at ento, mas hoje j temos uma vasilha especial aqui em casa para colocar o material reaproveitvel - conta Genival, hoje com 73 anos.

A lio foi passada para os quatro filhos e os cinco netos. Dois deles, Priscila, de 17 anos, e Vanessa, de 13, tentam convencer os amigos na escola da importncia da separao do lixo. E at a noiva de um dos filhos de Irinete, moradora de outro bairro, aderiu coleta seletiva.

- Ela separa o lixo na casa dela e traz para c, para ser reciclado - diz Genival.

O material coletado pela famlia vai se juntar ao restante recolhido no bairro, na Grota do Surucucu, onde tudo separado e prensado para ser vendido. Por ms, o bairro junta de 20 a 25 toneladas de material reciclvel, o que no chega a 0,5% do total de lixo produzido por ms na cidade - 13.500 toneladas.

- muito pouco em termos quantitativos, mas nossa iniciativa tem importncia simblica. Fomos uma das primeiras experincias sistemtica de coleta seletiva do pas, levada depois para Curitiba, Porto Alegre e outras cidades - comemora Emlio.

O que os ambientalistas que atuam no estado lamentam que a iniciativa do professor tenha se difundido pouco por terras fluminenses. Srgio Ricardo de Lima, ex-secretrio-executivo da Associao Permanente de Entidades de Defesa do Meio Ambiente (Apedema) e membro do Comit da Bacia Hidrogrfica do Guandu, reclama da ausncia de aes integradas na rea de coleta seletiva, coordenadas por uma poltica pblica de reciclagem. Apesar de considerar a iniciativa niteroiense um indicativo positivo, ele ressalta que h muito o que fazer, desde a criao de programas de educao ambiental nas escolas formao de cooperativas de catadores de lixo.

- O Estado do Rio ainda est na pr-histria neste assunto. Temos entre 40 e 60 lixes, segundo levantamento do Ministrio Pblico estadual. Megacidades como o Rio ainda no tm a coleta seletiva - reclama.

Presidente da Comisso de Meio Ambiente da Alerj e autor de trs leis sobre reciclagem, o deputado estadual Carlos Minc (PT) observa que alm da questo ambiental, o no reaproveitamento do lixo tem efeitos econmicos gravssimos. Entre eles, o desperdcio de matria-prima e energia, a no criao de empregos em cooperativas e