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Assunto: Vivendo atrs de lixo
País: Brasil
Fonte: www.reciclaveis.com.br
Data: 8/2005
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
O reprter do Dirio Deni Zolin encarou o desafio de contar como o cotidiano de um catador de lixo. Por uma manh, ele ajudou uma das mais antigas catadoras da cidade, Maria Luiza Ferreira da Silva, 63 anos, que est na profisso h 33 anos. Das 8h s 11h30min, Deni teve de colocar a mo na massa, puxando o carrinho, catando de lixeira em lixeira, abrindo sacolas em busca de algo com algum valor. Dona Maria ensinou ao reprter o que sabia e contou outros detalhes da vida de um catador. Veja o que o reprter viu e sentiu ao encarar a experincia de catar o lixo dos outros.

Os preparativos

"No dia de colocar a mo na massa, como estava frio, usei um tnis velho. Mas ao encontrar dona Maria Luiza, vi que meu ‘‘disfarce‘‘ tinha uma falha. Maria usava um chinelo velho que mostrava os ps rachados das agruras de seu cotidiano".

Conhecendo o lixo

"Sempre achei que sabia o que era lixo seco, mas sob a tica de quem s coloca lixo nas sacolas para se livrar dele. Neste dia, percebi o que realmente tem valor para um catador. Dona Maria me ensinou. Ao abrir as lixeiras, me deparei com mau-cheiro e lixo seco lambuzado com comida. Sem luvas, como dona Maria, abria as sacolas e fazia a inspeo. No incio, perguntava: ‘‘E isso, vale a pena pegar?‘‘. Catador no pega papel higinico e isopor. Ningum compra. J papel e plstico coloridos valem entre R$ 0,03 a R$ 0,10 o quilo. Catador faz festa com garrafa PET (at R$ 0,85 o quilo), lata de refri (de R$ 2 a R$ 2,50), papelo e papel branco. Ela conta que hoje raro encontrar latinhas e PETs, pois at empresas e condomnios passaram a juntar para vender".

Desperdcio

"Apesar de revirar sacolas, catador que garimpa lixeiras no lambuza as mos. Dona Maria no se importa em ver lixo seco no meio da comida. Ela no tem nojo disso. Tambm no tive. Mas o cheiro ficou impregnado. Me dei conta de que separar o lixo em casa ajudaria os catadores e evitaria desperdcio. No meio da comida, muito papel fica molhado e no podem ser aproveitado".

33 anos de profisso

"No incio da manh, com o carro vazio, ficava fcil trabalhar e deu para conversarmos sobre a vida de dona Maria. Bem falante, ela contou que nasceu em Dona Francisca e, depois, veio a Santa Maria, onde foi domstica. H 33 anos, achou melhor ser catadora e conseguia dois salrios mnimos mensais. Hoje, com a concorrncia, tira s meio salrio (R$ 150). Eu e Maria nos revezvamos para levar o carrinho. Saindo da Vila Carolina, subimos a Visconde de Pelotas, passamos pela Presidente, Acampamento e Rio Branco, at chegarmos de volta Carolina. medida que o carrinho enchia, os braos cansavam. Imaginei quanto peso dona Maria j carregou em 33 anos".

Do lixo para a boca

"Na rua, encontramos vrios catadores. Um deles estava com a filha de 10 anos, que nos acompanhou por um tempo. Ela achou quatro chocolates, barras de cereais e um achocolatado, ficou faceira e me ofereceu alguns. Envergonhado, at peguei, mas disse para ela ficar com aquilo. Logo depois, vi que a criana devorou tudo, apesar das mos sujas. Foi o que mais me deixou triste. Depois, nem me impressionei ao ver Maria pegar o po embolorado para dar ao cavalo, o resto de xis para o cachorro, alguns legumes para ela mesma e um resto de arroz para requentar".

Sorrisos e preconceito

"Nessa jornada, muita gente nos olhava com desconfiana, mas notei que a maioria das pessoas ignora os catadores ou desvia deles. Passei por uma conhecida, ela me olhou rapidamente e no me reconheceu. Dona Maria conta que no sente preconceito, mas h excees de pessoas que xingam os catadores. Em todo o trajeto, duas mulheres nos pararam para nos oferecer jornais e PETs. O que mais me marcou foi o sorriso de uma senhora que me entregou jornais".

Roubar ridculo

"