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Curiosidades


Assunto: Lixo eletrnico toma lugar do arroz em aldeia chinesa
País: Brasil
Fonte: http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1357851-EI4799,00.html
Data: 10/2007
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Os moradores de Guiyu, no desenvolvido litoral chins, abandonaram o cultivo de arroz, que era o meio de subsistncia, em prol de um negcio muito mais lucrativo, mas que prejudica sua sade e o meio ambiente: a reciclagem do lixo eletrnico do resto do mundo. Cerca de 70% dos resduos eletrnicos do planeta vo para a China. Violando a Conveno de Basilia, boa parte desses dejetos vem de pases desenvolvidos, e tem como destino o porto de Nanhai, na provncia de Canto, sudeste do pas.

Deste local, uma rede ilegal de importadores transporta os vestgios para a pequena cidade de Guiyu. Entre pilhas de teclados, cabos e placas, homens, mulheres e crianas fundem e destroam restos de artigos eletrnicos, principalmente computadores, sem qualquer proteo. Com isso, essas pessoas se transformam em presa fcil para as 700 substncias txicas que esto contidas nesses aparelhos.

Com as mos descobertas, 80% dos 150 mil moradores de Guiyu buscam materiais como cobre, plstico ou ao, que depois sero vendidos aos negociantes de segunda mo. "Muitos emigrantes rurais foram a Guiyu atrados por salrios de US$ 2 ou US$ 3 a hora, muito maiores do que os que ganham no campo. Eles tm que escolher entre ter dinheiro suficiente para viver ou ter sade", afirmou Jamie Choi, responsvel do Greenpeace para a rea.

Neste grande despejo da sociedade da informao, mal so utilizadas mscaras, e a ferramenta mais avanada tem forma de broca, acrescentou Choi. Os males para a sade tm um expoente devastador: 80% das crianas de Guiyu apresentam altos nveis de chumbo no sangue, o que causa danos nos sistemas nervoso e reprodutor, segundo constatou um estudo da Universidade de Shantou.

"As crianas, e em especial os filhos dos emigrantes, fazem os trabalhos mais simples. Ficam 24 horas trabalhando, respirando, em contato com materiais perigosos", afirma Choi. Wu Yuping, da Administrao Estadual do Meio Ambiente (Saiba), ressalta que "no possvel encontrar gua potvel em 50 quilmetros ao redor do local", pois as substncias txicas se acumulam nas beiras do rio e se infiltram no solo.

Em 1994, a Conveno de Basilia, assinada por quase todos os pases desenvolvidos, com exceo dos Estados Unidos, proibiu a exportao de resduos perigosos dos pases ricos aos pobres, includos os destinados reciclagem. Apesar disso, a aplicao das regras da Conveno mostrou muitas falhas. "O Greenpeace viu navios que partem da Holanda rumo China, carregados de resduos eletrnicos", afirmou Choi.

Entre os trabalhos rotineiros est o de desmontar placas-me em um fogareiro caseiro de carvo, em busca dos cobiados chips, que contm ouro. Ou tambm fundir as carcaas dos computadores para transformar o PVC txico em peas que se destinam a objetos que, curiosamente, voltam ao mundo ocidental: as flores de plstico.

Todos os anos, o planeta produz entre 20 e 50 milhes de toneladas de resduos eletrnicos, de acordo com dados do Programa das Naes Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Segundo a organizao, 80% deste lixo tem como destino a sia e, desse percentual, 90% chega China. Embora Guiyu seja o mais conhecido, h outros lixes deste tipo em Longtan, Tali, Canto e Taizhou (provncia de Zhejiang).

Apesar de a maioria dos resduos terem como origem os pases ricos, a China produz a cada ano 1,1 milho de toneladas, nmero que aumenta junto com o nvel de vida da populao. "Nos subrbios de cidades como Pequim ou Tianjin, h pequenas favelas dedicadas ao desmanche de objetos eletrnicos, e cujo destino final Guiyu", afirma Choi.

O Governo estuda um projeto de lei para fazer com que os fabricantes de computadores, televisores, refrigeradores, lavadoras e ar condicionados chineses sejam responsveis pela reciclagem de seus produtos. Essa medida uma resposta aos pedidos dos ambientalistas, que acreditam que os<