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Assunto: O planeta est ameaado pela poluio
País: Brasil
Fonte: http://www.reciclaveis.com.br/noticias/00902/0090219planeta.htm
Data: 3/1979
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Entre o litoral da Califrnia e o Hava, uma rea enorme ganhou um triste apelido: o Lixo do Pacfico. Levadas pela corrente martima, toneladas e toneladas de sujeira, produzidas pelo homem, se acumulam num lugar que j foi um paraso. Um oceano de plstico, uma sopa intragvel, de tamanho incerto e aproximadamente 1,6 mil quilmetros da costa entre a Califrnia e o Hava e que, segundo estimativas, seria maior do que a soma de So Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Gois. o Pacfico, o maior dos oceanos, agredido pela humanidade onde a humanidade raramente chega. H plstico e plncton, lixo e alimento, tudo misturado. Poluindo o paraso, confundindo as aves, criando anomalias - como a tartaruga que cresceu com um anel de plstico em volta do casco - e matando os moradores do mar. Mas qual ser afinal o tamanho exato gigantesca massa de lixo que se acumula no Oceano Pacifico? Ser que a gente ainda tem tempo para limpar tudo isso? E os animais? Se adaptam ou sofrem as consequncias? Charles Moore viajava pelo Pacfico, entre o Hava e a Califrnia, quando resolveu arriscar um novo caminho. "Foi perturbador. Dia aps dia no vamos uma nica rea onde no houvesse lixo. E to distantes do continente, lembra o capito. Como um descobridor nos tempos das Navegaes, Charles Moore foi o primeiro a detectar a massa de lixo. E batizou o lugar de Lixo do Pacfico. Primeiro, viu pedaos grandes de plstico, muitos deles transformados em casa para os mariscos. Depois, quando aprofundou a pesquisa, o capito descobriu que as guas-vivas estavam se enrolando em nylon e engolindo pedaos de plstico. O albatroz tinha um emaranhado de fios dentro do corpo. "Antes no havia plstico no mar, tudo era comida. Ento os animais aprenderam a comer qualquer coisa que encontram pela frente. Voc pode ver que eles tentaram comer isso [pedao de embalagem]. Mas no conseguiram", diz o capito. Com a peneira na popa, o capito e sua equipe filtram a sopa de plstico e fazem medies. J descobriram, por exemplo, que 27% do lixo vem de sacolas de supermercado. Em uma anlise feita com 670 peixes, encontraram quase 1,4 mil fragmentos de plstico. So informaes valiosas, fonte de pesquisa e argumentos para a grande denncia de Charles Moore: "Gostaria que o mundo inteiro percebesse que o tipo de vida que estamos levando, isso de jogar tudo fora, usar tantos produtos descartveis, est nos matando. Temos que mudar, se quisermos sobreviver". Um gesto despreocupado, uma simples garrafa de plstico esquecida em uma praia da Califrnia. Muitas vezes ela devolvida pelas ondas e recolhida pelos garis. Mas grande parte do material plstico que produzido nessa regio acaba embarcando em uma longa e triste viagem pelo Oceano Pacifico. Pode ser tambm depois de uma tempestade. O plstico jogado nas ruas varrido pela chuva, entra nas galerias fluviais das cidades e chega at o mar; ou vem de rios poludos que desembocam no oceano. No caminho, os dejetos do continente se juntam ao lixo das embarcaes e viajam at uma regio conhecida como o Giro do Pacfico Norte. Diversas correntes martimas que passam s margens da sia e da Amrica do Norte acabam formando um enorme redemoinho feito de gua, vida marinha e plstico. Mas, outra vez uma tempestade, um vento forte, talvez, e parte do lixo viaja para fora da sopa, at uma praia distante. Estamos numa praia linda e deserta de uma regio praticamente desabitada do Hava. No era para ser um paraso ecolgico? Mas Kamilo Beach recebe tantos dejetos martimos que acabou virando um lixo a cu aberto. Basta procurar um pouquinho para entender a origem de todo o plstico que chega at a praia. Em uma embalagem, caracteres chineses. Uma bia de pescadores provavelmente veio do Japo. Um pouco mais adiante, h o pedao de um tanque de plstico com ideogramas coreanos. E olha que Kamilo Beach est mais de 1 mil quilmetros distante do Lixo do Pacfico, no extremo sudoeste da ilha de Hilo, no Hava. Kamilo Beach dificilmente v um gari. O plstico que chega lentamente pelo mar vai ficando esquecido no paraso. H dois anos, depois que se mudaram para c, Dean e Suzzane Frazer resolveram fazer de Kamilo um alerta planetrio. Suzanne pergunta: "Ser que o governo japons, por exemplo, sabe quanto plstico o Japo est mandando para o Hava?" Dean vem trazendo um galo que, sem dvida, chegou da sia. Tem tambm tubo de shampoo usado nos Estados Unidos e sacos de plstico sabe-se l de onde. Agora, so todos farrapos do mar. As mordidas impressas no plstico levaram os ambientalistas a mudar de alimentao. "O que acontece que as toxinas esto se acumulando ao longo da cadeia alimentar. Os predadores no topo da cadeia, que somos ns, estamos comendo plstico tambm", alerta Suzzane Fraser. O casal toma notas, calcula as quantidades, recolhe o equipamento de pesca para saber os pesos e as medidas de cada tipo de poluio. No pessimismo. Por enquanto, praticamente nada est sendo feito e no d para dizer que existe um ou outro culpado. Estamos todos com as mos completamente sujas de plstico. Maldivas tm ilha s de lixo Haveria depsito de lixo em cinco rgios dos oceanos. Nas Ilhas Maldivas, no Oceano ndico, uma nova ilha est sendo criada. uma ilha de lixo. Em pouco menos de duas dcadas, a ilha j tem 50 mil metros quadrados e abriga indstrias e depsitos. Caminhes chegam em barcos o tempo todo. O lixo orgnico queimado na hora. Garrafas de plstico e pedaos de metal so separados e exportados para ndia, onde so reciclados. O resto forma a base do territrio que avana sobre o oceano. O nativos das Maldivas se recusam a fazer esse tipo de trabalho. Eles ganham mais se passarem o dia inteiro na praia, s pescando. Por isso, os trabalhadores do lixo so 150 imigrantes de Bangladesh, que aceitam trabalhar ganhando o equivalente a US$ 60 e US$ 100 por ms. A maior parte do lixo vem da capital, Mal, que concentra 100 mil habitantes, um tero da populao do pas. Mas os 10 mil turistas que visitam as ilhas por dia provocaram uma exploso na produo de lixo e a criao da ilha das Maldivas que ningum quer visitar. Fonte: Globo.com