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Assunto: Plstico recuperado vira papel
País: Brasil
Fonte: http://www.reciclaveis.com.br/noticias/00907/0090710plastico.htm
Data: 8/2009
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Uma nova alternativa para minimizar o impacto ambiental causado pelos descartes plsticos comea a ganhar contornos industriais nos prximos meses. Em etapa final de testes, um papel sinttico obtido de plstico reciclado de resduos urbanos chegar ao mercado convertido em fitas adesivas, papel de impresso e rtulos. Resultado de uma parceria trplice, o produto comprova que a unio de foras entre cientistas e empresrios na busca de desenvolvimentos para agregar valor sociedade quase sempre acerta o alvo. O projeto demandou vrios anos de estudos e ganhou corpo nos ltimos trs. Em abril de 2007 foi depositada a patente em nome dos trs parceiros: Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de So Carlos (DEMa/UFSCar), Vitopel e Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo (Fapesp). A coordenadora do projeto e docente do DEMa, Sati Manrich, explica que, a fim de aproveitar o mximo possvel o resduo urbano, foram desenvolvidas vrias formulaes. Os rejeitos plsticos, depois de limpos e modos, recebem aditivos para a obteno de propriedades pticas (brilho, brancura, disperso e absoro de luz) e resistncia mecnica ao rasgamento, trao e a dobras. A blenda segue para a extruso e resulta em um material semelhante ao papel derivado da celulose. De acordo com a mentora da pesquisa, a ideia surgiu com o objetivo de buscar alternativas para minimizar o impacto ambiental causado pelo material plstico descartado com produtos de maior valor agregado. A inteno era despertar o interesse para aplicaes mais nobres, chamar a ateno tanto de empresrios como da populao, explica Sati. O produto ainda incorpora outros aspectos ambientais importantes: seu uso tem a contrapartida de evitar a derrubada de rvores e economizar grande volume de gua, necessrio ao ciclo produtivo do papel celulsico. Como principais caractersticas, a cientista ressalta a maior durabilidade, resistncia umidade e melhor aspecto visual, em comparao ao papel da celulose. A cientista indica o material para aplicaes que requerem propriedades como barreira umidade e gua ou maior resistncia. Na Vitopel, o novo material utiliza a tecnologia dos filmes de polipropileno biorientado (BOPP), resultando num material resistente, com aspecto diferenciado e similar ao do papel cuch. O produto requer extruso mais sofisticada e biorientao, comentou Jos Ricardo Roriz Coelho, presidente da Vitopel, maior produtora de filmes flexveis biorientados da Amrica Latina e a terceira maior do ramo no mundo. O projeto tambm contou com os conhecimentos da empresa em formulao e extruso para o desenvolvimento de filmes multicamadas e de tratamento que oferecem ao produto final caractersticas de resistncia associadas espessura mais fina. A companhia investiu dois milhes de dlares na elaborao do composto. S falta caracterizar melhor o produto, sua produtividade, padro de cor, entre outros aspectos, para entrar no mercado comercialmente, explicou Roriz. Dentro de dois meses, as primeiras 250 toneladas do material chegam ao mercado transformadas em fitas adesivas, papel de impresso e rtulos. Alm dessas aplicaes, tambm est previsto o seu uso em livros escolares, envelopes e catlogos institucionais, entre outros itens. De acordo com o presidente da Vitopel, o papel derivado de resduos plsticos no concorre com o de celulose. A ideia ser um produto complementar, pode at ser laminado com papel, disse. A empresa tem capacidade instalada para produzir um total de 150 mil toneladas anuais de filmes flexveis. Num primeiro estgio, seriam convertidas 10 mil toneladas do novo material que, a propsito, pode ser reincorporado ao processo produtivo. Esse volume pode facilmente ser elevado para 50 mil toneladas anuais, de acordo com a demanda do mercado e desde que a empresa tenha condies de estabelecer um sistema de coleta contnua, fundamental para manter constante a produo. Da sua prpria fbrica, a Vitopel poder reabsorver 250 toneladas mensais de aparas. A empresa j tem potenciais fornecedores: algumas cooperativas de reciclagem com as quais mantm relacionamento. O presidente da Vitopel comemora o fato de o produto ter despertado interesse internacional. Se no estiver no raio de alcance de exportao, os trs parceiros Vitopel, UFSCar e Fapesp podem licenciar a tecnologia, declarou Roriz. A docente do DEMa/UFSCar est envolvida com o projeto de caracterizao de poliolefinas provenientes de resduos urbanos para a fabricao de papel sinttico desde 1996. Vrias pesquisas abordaram o reaproveitamento de embalagens ps-consumo e em 2002 ganhou impulso o estudo que resultou no produto agora em vias de comercializao. Fonte: Revista Plstico Moderno