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Curiosidades


Assunto: Pesquisadores testam resduos de madeira na produo de frmacos
País: Brasil
Fonte: http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=21929
Data: 8/2009
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
No Brasil, a cada ano, cerca de 10 milhes de toneladas de resduos de madeiras so descartadas ou, quando muito, queimadas em substituio ao carvo. Graas a um estudo conduzido por pesquisadores do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Qumicas, Biolgicas e Agrcolas (CPQBA) da Unicamp, este material pode ganhar uma funo bem mais nobre: fornecer insumos para a produo de novos frmacos destinados ao tratamento do cncer. Embora as pesquisas ainda estejam no incio, os resultados preliminares indicam que os especialistas esto no caminho certo. Primeiros resultados animam cientistas Uma das linhas de pesquisa do CPQBA compreende justamente a triagem de plantas com propriedades medicinais. Dentro desta, h um segmento que se ocupa de investigar aquelas que porventura possam conter substncias anticancergenas. O trabalho com os resduos de madeiras foi realizado pela farmacutica Luciana Jankowsky para a sua dissertao de mestrado. A idia nasceu do seu contato com os professores Jos Otvio Brito e Ivaldo Jankowsky, ambos do Departamento de Cincias Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), que desenvolvem estudos junto a madeireiros legalizados. O segundo, como o sobrenome indica, pai de Luciana. De acordo com o professor Joo Ernesto de Carvalho, orientador da dissertao, o trabalho da sua aluna consistiu em usar os resduos de madeiras (lascas e pedaos do troco) para a obteno de um extrato retirado do cerne da planta. Isso feito da seguinte forma. Primeiro, a madeira separa e moda. Em seguida, o p misturado a um solvente, medida que permite a extrao de compostos com polaridades diferentes. O processo de extrao foi realizado na Esalq pelo grupo do professor Brito e na Diviso de Fitoqumica do CPQBA pela pesquisadora Mary Ann Foglio. Por ltimo, essas substncias tm a sua atividade farmacolgica analisada. Luciana trabalhou com quatro espcies diferentes de rvores, todas nativas brasileiras: ip roxo, cabreva vermelha, sucupira e cumaru. Todas elas, conforme a farmacutica, demonstram algum nvel de atividade antitumoral. Para chegar a essa concluso, a pesquisadora trabalhou com nove linhagens de clulas tumorais humanas, fornecidas pelo Instituto Nacional do Cncer dos Estados Unidos. O extrato obtido das madeiras foi aplicado em quatro concentraes diferentes nessas clulas, para identificar qual deles inibia o crescimento ou provocava a morte celular. Os resultados dos experimentos, afirma Luciana, foram satisfatrios. O ip, por exemplo, teve boa atividade e provocou a morte celular. O professor Joo Ernesto explica que um dos desafios desse tipo de pesquisa verificar se h algum grau de seletividade na ao dessas substncias. Ocorre, segundo ele, que as clulas cancergenas so muito semelhantes s clulas sadias. Assim, o objetivo dos pesquisadores chegar a uma substncia que mate as clulas tumorais, mas conserve as saudveis. Se a substncia no tem essa propriedade, provavelmente ela tem uma toxicidade inespecfica, diz. Ainda conforme o docente, cada extrato retirado das madeiras tem uma centena de componentes. O prximo passo da pesquisa, desse modo, separar cada um deles para tentar identificar qual o princpio ativo que ajuda a combater o cncer. Ainda temos um longo caminho a trilhar antes de alcanarmos essa meta. Todavia, as pesquisas realizadas at aqui so muito promissoras, analisa. Alm de investigar a propriedade anticancergena dos extratos das madeiras, Luciana realizou outros tipos de experimentos com essas substncias, sobretudo a extrada da cabreva vermelha. Em testes feitos com camundongos, o extrato dessa rvore produziu um acentuado efeito depressor do sistema nervoso central desses animais. Ou seja, provocou a anestesia geral das cobaias. Em outro teste, a substncia potencializou o efeito depressivo do ter etlico. Apenas com o uso do extrato, os animais dormiram por trs horas e meia. Ao ser associado ao ter, o efeito anestsico foi prolongado. Um dado positivo que todos os camundongos voltaram. No houve um bito sequer, afirma Luciana. A autora da dissertao tambm testou o efeito analgsico do extrato da cabreva vermelha, e constatou que ele semelhante ao causado pela morfina. Isso ocorre, possivelmente, por causa da depresso do sistema nervoso central, inferem Luciana e Joo Ernesto. Por fim, a pesquisadora analisou se a substncia tinha ou no a capacidade de inibir a lcera gstrica nos animais de laboratrio. Para isso, ela utilizou dois modelos distintos, provocando a doena nos camundongos por meio da administrao de altas doses de lcool e de antiinflamatrios. O que ns apuramos que o extrato ajuda a reduzir a produo do cido gstrico. Agora nos resta investigar como isso ocorre, esclarece Luciana. Estudos desse tipo revestem-se de dois aspectos importantes, no entender do professor Joo Ernesto. Primeiro, ajudam a formar profissionais extremamente qualificados. Aqui, nossos alunos colocam a mo na massa e aprendem a atuar nas diversas fases que envolvem a pesquisa, afirma. Ademais, contribuem para o avano cientfico e tecnolgico do pas, que tende a tornar-se cada vez menos dependente do conhecimento externo. H, ainda, um terceiro elemento que merece destaque em relao ao trabalho realizado por Luciana. Caso ele venha a contribuir para o desenvolvimento de algum frmaco no futuro, bem possvel que tambm favorea a gerao de emprego e renda, bem como colabore com eventuais programas voltados explorao sustentvel da madeira brasileira. A dissertao contou com o financiamento da Capes, CNPq e Fapesp. (Fonte: Manuel Alves Filho / Jornal da Unicamp)