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Assunto: A farra dos sacos plsticos
País: Brasil
Fonte: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/residuos/artigos/a_farra_dos_sacos_plasticos.html
Data: 9/2009
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
O Brasil definitivamente o paraso dos sacos plsticos. Todos os supermercados, farmcias e boa parte do comrcio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. No importa o tamanho do produto que se tenha mo, aguarde a sua vez porque ele ser embalado num saquinho plstico. O pior que isso j foi incorporado na nossa rotina como algo normal, como se o destino de cada produto comprado fosse mesmo um saco plstico. Nossa dependncia tamanha, que quando ele no est disponvel, costumamos reagir com reclamaes indignadas. Quem recusa a embalagem de plstico considerado, no mnimo, extico. Outro dia fui comprar lminas de barbear numa farmcia e me deparei com uma situao curiosa. A caixinha com as lminas cabia perfeitamente na minha pochete. Meu plano era levar para casa assim mesmo. Mas num gesto automtico, a funcionria registrou a compra e enfiou rapidamente a msera caixinha num saco onde caberiam seguramente outras dez. Pelas razes que explicarei abaixo, recusei gentilmente a embalagem. A plasticomania vem tomando conta do planeta desde que o ingls Alexander Parkes inventou o primeiro plstico em 1862. O novo material sinttico reduziu os custos dos comerciantes e incrementou a sanha consumista da civilizao moderna. Mas os estragos causados pelo derrame indiscriminado de plsticos na natureza tornou o consumidor um colaborador passivo de um desastre ambiental de grandes propores. Feitos de resina sinttica originadas do petrleo, esses sacos no so biodegradveis e levam sculos para se decompor na natureza. Usando a linguagem dos cientistas, esses saquinhos so feitos de cadeias moleculares inquebrveis, e impossvel definir com preciso quanto tempo levam para desaparecer no meio natural. No Complexo do Alemo, plsticos no biodegradveis se juntam ao lixo nas ruas. No caso especfico das sacolas de supermercado, por exemplo, a matria-prima o plstico filme, produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). No Brasil so produzidas 210 mil toneladas anuais de plstico filme, que j representa 9,7% de todo o lixo do pas. Abandonados em vazadouros, esses sacos plsticos impedem a passagem da gua - retardando a decomposio dos materiais biodegradveis - e dificultam a compactao dos detritos. Essa realidade que tanto preocupa os ambientalistas no Brasil, j justificou mudanas importantes na legislao - e na cultura - de vrios pases europeus. Na Alemanha, por exemplo, a plasticomania deu lugar sacolamania. Quem no anda com sua prpria sacola a tiracolo para levar as compras obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso de sacos plsticos. O preo salgado: o equivalente a sessenta centavos a unidade. A guerra contra os sacos plsticos ganhou fora em 1991, quando foi aprovada uma lei que obriga os produtores e distribuidores de embalagens a aceitar de volta e a reciclar seus produtos aps o uso. E o que fizeram os empresrios? Repassaram imediatamente os custos para o consumidor. Alm de anti-ecolgico, ficou bem mais caro usar sacos plsticos na Alemanha. Na Irlanda, desde 1997 paga-se um imposto de nove centavos de libra irlandesa por cada saco plstico. A criao da taxa fez multiplicar o nmero de irlandeses indo s compras com suas prprias sacolas de pano, de palha, e mochilas. Em toda a Gr-Bretanha, a rede de supermercados CO-OP mobilizou a ateno dos consumidores com uma campanha original e ecolgica: todas as lojas da rede tero seus produtos embalados em sacos plsticos 100% biodegradveis. At dezembro deste ano, pelo menos 2/3 de todos os saquinhos usados na rede sero feitos de um material que, segundo testes em laboratrio, se decompe dezoito meses depois de descartados. Com um detalhe interessante: se por acaso no houver contato com a gua, o plstico se dissolve assim mesmo, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza. Mau exemplo: lixo em SP recebe 250 toneladas por dia. No h desculpas para ns brasileiros no estarmos igualmente preocupados com a multiplicao indiscriminada de sacos plsticos na natureza. O pas que sediou a Rio-92 (Conferncia Mundial da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente) e que tem uma das legislaes ambientais mais avanadas do planeta, ainda no acordou para o problema do descarte de embalagens em geral, e dos sacos plsticos em particular. (...) preciso declarar guerra contra a plasticomania e se rebelar contra a ausncia de uma legislao especfica para a gesto dos resduos slidos. H muitos interesses em jogo. Qual o seu? O jornalista Andr Trigueiro redator e apresentador do Jornal das Dez, da Globonews, desde 1996. Na Rdio Viva Rio AM (1180 kwz ), Trigueiro apresenta o programa Conexo Verde, de segunda a sexta. Nele, aborda temas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentvel. O jornalista ps-graduado em Meio Ambiente pela MEB COPPE/UFRJ (2001). Por Andr Trigueiro