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Assunto: Novos negcios nascem do lixo tecnolgico
País: Brasil
Fonte: http://www.reciclaveis.com.br/noticias/00911/0091125negocios.htm
Data: 2/2010
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
O crescente volume de lixo tecnolgico, como celulares, computadores e televisores descartados pelos consumidores est movimentando um novo negcio: fbricas que desconstroem equipamentos para recolocar as matrias primas no processo industrial, a chamada manufatura reversa. O segmento comea a ser visto como promissor - vrios Estados, como So Paulo, esto criando leis que obrigam os fabricantes a darem destino correto aos eletroeletrnicos ao fim de sua vida til. Por ser ainda incipiente, no existem estatsticas precisas sobre o quanto essa indstria movimenta. Mas ela difere dos sucateiros de fundo de quintal, que desmontam equipamentos para retirar apenas os metais preciosos, como ouro e prata, presentes nas placas de computadores. "As empresas que esto se estabelecendo nesse mercado oferecem um servio especializado e em conformidade com leis ambientais. No competem com os catadores das ruas", diz Digenes Del Bel, presidente da Associao Brasileira das Empresas de Tratamento de Resduos (Abetre), entidade que rene algumas dessas companhias. A desmontagem dos equipamentos visa aproveitar as matrias primas. Componentes como metais e plsticos so separados e vendidos indstria, por preos que variam conforme o vai e vm das commodities. Mas o Brasil ainda no tem parque tecnolgico para recuperar baterias de celulares e placas de computadores, que so enviados para pases como China, Japo, Estados Unidos e Alemanha para serem totalmente reaproveitados. A operadora de telefonia celular Vivo comeou a recolher aparelhos e baterias descartados pelos consumidores h trs anos. Conta com 3,4 mil pontos de coleta, mas o volume coletado ainda pequeno: ao longo deste ano, foram recolhidos 105 mil itens. Uma empresa nacional, a GM&C, faz o servio de coleta e desmonte dos aparelhos, mas a recuperao completa dos materiais feita nos EUA e Mxico. "Ainda no encontramos uma empresa que preste esse servio de forma certificada no Brasil", diz Karina Biderman, diretora de responsabilidade socioambiental da Vivo. Este ano, o Pas deve vender 12 milhes de computadores, 47 milhes de celulares e 9 milhes de televisores, segundo estimativas da indstria. difcil calcular o tempo de obsolescncia dos equipamentos, mas a iminncia de uma lei nacional que obrigue os fabricantes a dar destino sucata j traz boas perspectivas para as empresas. A Oxil, empresa de manufatura reversa com sede em Paulnia (SP) e filial em Salvador j sente o aumento da demanda. "O nmero de equipamentos recolhidos mais que dobrou do ano passado para c", diz Akiko Ribeiro, diretora executiva da Oxil. So recolhidos por ms 40 toneladas de equipamentos eletrnicos e 4 mil geladeiras. Para dar conta da demanda, a empresa precisou ampliar em seis vezes o quadro de funcionrios: passou de 10 empregados, h um ano, para cerca de 60. Fabricantes de informtica, como a Itautec, tambm esto de olho nesse mercado. Segundo Joo Carlos Redondo, gerente de sustentabilidade da Itautec, este ano a demanda por reciclagem tem sido maior que em 2008. No ano passado, a empresa destinou 469,97 toneladas de equipamentos para a reciclagem, o que corresponde a menos de 10% da renovao de equipamentos pelos clientes da Itautec. A empresa conta com uma rea de gesto ambiental de 715 metros quadrados em Jundia, onde chegam os equipamentos para a separao do material, que enviado a terceiros. "Nesse lugar, separamos plstico, cabeamento, placas e metais". A venda de material cobre somente 72% do custo da reciclagem. Um dos itens mais caros para a reciclagem so os tubos dos monitores, a um custo de R$ 500 por tonelada. "Se fssemos mandar o material para o aterro, esse custo seria de R$ 90", disse o executivo. O vidro dos cinescpios descontaminado e reaproveitado para produo de cermica. A maior parte do material reciclado no Brasil. A exceo so as placas, que so enviadas para a Blgica e para Cingapura. "O investimento em uma planta local, com capacidade de 25 mil toneladas/ano, ficaria em cerca de US$ 5 milhes", afirma Redondo. "O Brasil j comportaria uma instalao dessas, mas ainda ningum se interessou em investir". Fonte: Gazeta do Povo