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Curiosidades


Assunto: Uma Onda Gigante de Lixo Marinho (Janeiro de 2006)
País: Brasil
Fonte: http://www.marica.com.br/2006/1601elisiolixonomar.htm
Data: 5/2010
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Por Lus Peaz A maior ameaa dos novos tempos no necessariamente a falta de gua, de petrleo ou de comida, porque para essas ameaas o homem no pra de procurar alternativas e encontrar solues. A maior ameaa vem do bero da nossa civilizao. o lixo. Que, genericamente, poderia ser tratado por lixo marinho. Pois, j no se disse que tudo acaba no mar? Um relatrio do UNEP/PNUMA Programa das Naes Unidas para o Meio Ambiente, produzido em 2005, sobre o problema do lixo marinho nos Mares do Norte, Europa, frica, Australsia e Estados Unidos, comea afirmando que o lixo marinho impe uma enorme e crescente ameaa ao meio ambiente marinho e costeiro. Ao final de aproximadamente 50 pginas, depois de relatar as atividades, acordos, convenes, regulamentaes, diretrizes e aes de agncias da ONU, governos, comisses internacionais e de um bom nmero de organizaes da sociedade civil organizada, nas ltimas duas dcadas, conclui que o problema do lixo marinho persiste, grave, crescente e altamente ameaador ao meio ambiente. No Brasil no h estudo similar, at porque naquele relatrio da UNEP/PNUMA so mencionados estudos e pesquisas feitas individualmente por entidades em vrios pases, mas, segundo o relatrio, no seriam vlidas, porque no utilizaram metodologia padronizada, nem foram feitas num perodo longo de observao, nem em uma rea de amostragem representativa. Mas basta um passeio em qualquer calado de qualquer uma das milhares de cidades litorneas para se constatar que, no Brasil, o lixo marinho faz parte da nossa paisagem do dia-a-dia. O tamanho do problema O lixo marinho encontrado em todas as reas dos mares e oceanos do mundo no somente em regies densamente povoadas, mas tambm em lugares remotos, bem longe de qualquer fonte bvia de lixo; viaja longas distncias pelas correntes ocenicas e com os ventos, sendo encontrado em todos os lugares no meio ambiente marinho e costeiro, dos plos ao equador, dos litorais continentais a minsculas e remotas ilhas; origina-se de muitas fontes e causa tremendos impactos ambientais, econmicos, na segurana, na sade e culturais; a lenta taxa de degradao da maioria dos itens de lixo marinho, principalmente plsticos, e a sua contnua e crescente produo, esto ganhando da disposio do homem de limpar o planeta. So estimadas que em torno de 6.4 milhes de toneladas de lixo marinho so descartadas nos oceanos e mares a cada ano. Cerca de 8 milhes de itens de lixo marinho so despejados nos oceanos e mares todos os dias, aproximadamente 5 milhes dos quais (resduos slidos) so jogados de navios. Mais de 13.000 pedaos de lixo plstico esto, atualmente, flutuando em cada quilmetro quadrado de oceano. A Fundao de Pesquisa Marinha Algalita (AMRF), por exemplo, afirma em um relatrio de pesquisa que no giro central do Oceano Pacfico, ela encontrou, em 2002, 6 quilos de plstico para cada quilo de plncton prximo da superfcie. A deficincia na implementao e execuo de padres e regulamentaes internacionais, regionais e nacionais (leia-se prtica eficiente de gesto do lixo) que poderiam melhorar a situao, combinada com a falta de conscientizao entre os principais interessados e do pblico em geral so as maiores razes pelas quais o problema do lixo marinho no s permanesce, mas continua crescendo mundialmente. O lixo marinho a maior preocupao de sade pblica e ambiental em muitos pases, que geralmente no dispem de um sistema apropriado de gesto de resduos, desde a sua fonte at o seu descarte ou processamento final. A cara do problema e os maiores culpado O lixo marinho um problema ambiental, econmico, de sade e de esttica. Causa danos e morte fauna. Ameaa a diversidade biolgica marinha e costeira em reas costeiras produtivas. Pedaos de lixo podem transportar espcies invasoras entre os mares. Resduos hospitalares e sanitrios constituem um perigo sade e podem prejudicar seriamente as pessoas. O lixo marinho causa danos que implicam em grandes custos econmicos e perdas a pessoas, a propriedades e a meios de subsistncia, assim como impem riscos sade e at a vidas. Sem pestanejar pode-se afirmar que o melhor representante do lixo marinho o plstico. Basta olhar nas praias de qualquer parte do mundo. Todas as pesquisas, vlidas ou no, segundo o UNEP/PNUMA, apontam os plsticos como os mais perversos itens de lixo marinho. Porque so os mais persistentes; porque flutuam, ficam na coluna dgua e no leito dos mares; porque ameaam a fauna de variadas formas, pela ingesto e enredamento; porque, mesmo ao se fotodegradarem, continuam sendo plsticos, e sujeitos a ingesto pelos menores organismos marinhos. Mas isso no quer dizer que os demais itens de lixo marinho sejam menos ameaadores. Lixo lixo. Quem so os culpados por colocarem essas ameaas dentro dos mares? Por ordem: os navios da marinha mercante, pelo descarte de lixo marinho no mar; as embarcaes de pesca, mais especificamente os apetrechos de pesca perdidos ou abandonados nos mares, e tambm pelo descarte de lixo no mar; por fim, o descarte de lixo nas praias e por embarcaes de recreio. Mas h uma outra forma to potencialmente ameaadora quanto as apontadas acima: suas fontes esto baseadas em terra, dos dejetos irregulares e criminosos, de indstrias, dos lixes prximos das zonas costeiras, os esgotos sem tratamento, o lixo que desce pelo rios e chega ao mar, e a falta de educao (problema cultural) das pessoas em geral. As pesquisas fazem essa ltima afirmao de modo ponderado, acusando a necessidade de conscientizao, mas a realidade que somos todos ignorantes com relao ao problema do lixo. No reconhecemos a gravidade do problema, para ns mesmos. Sem falar de outras ameaas ao meio ambiente marinho, tais como os acidentes de derramamento de leo de navios e plataformas de petrleo. Por que to difcil resolver A soluo vista pelo ngulo prtico simples. Vista pela lente da realidade inatingvel, a curto prazo. De qualquer ngulo o primeiro passo seria o mpeto poltico; o segundo seria o tratamento adequado do lixo, em depsitos projetados ecologicamente corretos, incluindo a processos de seleo, reciclagem, reuso e transformao de itens de lixo em energia, conforme o caso e conformidade com as leis federais, estaduais e municipais com relao ao lixo (leis no faltam); o terceiro passo, paralelo ao segundo, seria a implantao de estaes receptoras de lixo dos navios e barcos de pesca nos portos (assim como mini estaes em marinas) no Brasil no h um s caso exemplar. Por fim, o mais difcil: a mudana de comportamento do pblico em geral. Essa uma batalha potencialmente paradoxal. Como fazer com que as pessoas produzam menos lixo, atravs da escolha inteligente de consumo? Como internalizar nas pessoas a noo de que o lixo no existir se ela no o produzir, logo no poder causar ameaa ao meio ambiente? Como fazer com que as pessoas consumam menos, ou descartem seus resduos de modo ambientalmente correto? S se a cadeia de produo inteiramente estiver engajada, desde a produo, atravs do marketing de produtos e de suas propagandas com responsabilidade social. Mas a fica faltando a participao da municipalidade, com a gesto adequada do lixo. Sem falar que as novidades de embalagens pseudo ambientalmente amigveis, isto , oferecidas com o valor agregado da biodegradao, podem enviar uma mensagem equivocada ao pblico, de que ele pode consumir sem culpa, porque o meio ambiente ir absorver. Neste caso, aquela linha divisria entre o milenar comportamento nocivo ao meio ambiente e a prtica inteligente nunca ser traada. O lixo marinho e todo o lixo do mundo, de um modo geral, como uma onda gigante que desaba gradualmente em pingos sobre a cabea de todos ns, todos os dias, enquanto disfaramos que ela no existe. Dado que o lixo marinho tem origens baseadas no mar e em terra, medidas para reduzi-lo ou evit-lo devem ser tomadas em um nmero grande de lugares, dentro de um nmero grande de atividades, num vasto raio de alcance de setores sociais, e por muitas pessoas, em muitas situaes. Por isso to difcil resolver o problema. Existem regulamentaes (cito a MARPOL 73/78 e a Conveno de Londres, ratificadas por centenas de pases, incluindo o Brasil) internacionais, que exigem o descarte adequado de lixo de navios em estaes receptoras nos portos, e estabelecem com clareza a importncia da prtica de gesto de resduos tanto para fontes baseadas no mar quanto em terra. Mas elas no tm o poder, a estrutura nem a funo de polcia, e, para piorar, elas mesmas prevem que suas regulamentaes, quanto prtica de descarte de lixo de navios, s podem entrar em vigor, a ponto de provocar sanes pela no conformidade, se as estaes receptoras existirem. Uma responsabilidade dos municpios e portos. Um paradoxo, criado pelos prprios criadores das regulamentaes, pelos grupos de presso e pelas fraquezas polticas (a nvel federal, estadual e municipal). Leia-se indstria do transporte martimo e da pesca, autoridades porturias e os chamados stake holders.