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Assunto: LIXO ESPACIAL
País: Brasil
Fonte: http://www.observatorio.ufmg.br/Pas81.htm
Data: 5/2010
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Prof. Renato Las Casas (01/04/2008) Acredito que todo problema tem a hora certa de ser tratado. Se nas nossas primeiras investidas espaciais ficssemos preocupados em no deixarmos partes de foguetes; satlites j inoperantes; peas; resduos; ferramentas; etc., vagando soltos no espao; certamente o nosso desenvolvimento astronutico teria sido bem mais lento. Hoje, vrias dcadas aps o Sputnik, a situao muito diferente. Por um lado, esses dejetos (ou lixo) gravitando em torno de nosso planeta j so em to grande nmero (e o numero deles cresce cada vez mais) que tm ameaado a segurana de nossos astronautas; naves; satlites; etc.; e em alguns casos, j tm at ameaado a nossa segurana em terra. Por outro lado, o nosso conhecimento astronutico chegou a um nvel que nos permite investir na procura de solues prticas e economicamente viveis para o problema, sem determos nosso desbravamento espacial. ------------------------------------- Dia 22 passado, um estranho objeto, com um metro de dimetro, caiu a cerca de 150 metros da sede de uma fazenda em Montividiu, interior de Gois. Seria sobra de algum satlite ou foguete? Possivelmente um tanque de combustvel? Essa no a primeira vez que registramos a queda de lixo espacial em territrio brasileiro. Em 1995, por exemplo, fragmentos de um satlite chins de comunicao caram no interior de So Paulo, no municpio de Itapira. Em 1966, um tanque de combustvel de um foguete Saturno, com um metro de dimetro caiu na costa do Par, sendo achado por pescadores. Nada to espetacular, entretanto, quanto o ocorrido na madrugada de 11 de maro de 1978, quando partes de um foguete sovitico reentraram na atmosfera acima da cidade do Rio de Janeiro e caram no Oceano Atlntico. Foi um belo espetculo. Inmeros fragmentos, entrando em ignio devido ao atrito com a atmosfera, brilharam intensamente, enquanto cortavam o cu. Mas se a reentrada tivesse acontecido alguns minutos depois teramos uma tragdia, pois a queda seria na rea urbana do Rio e no no oceano. Em fevereiro passado um satlite norte americano desgovernado (usado para espionagem) foi destrudo por um mssil, felizmente com sucesso, antes que casse sobre alguma regio de nosso planeta. Esse satlite estava carregado com hidrazina, elemento altamente txico. A queda desse satlite em rea habitada poderia levar a um nmero incalculvel de mortes. A sua exploso, entretanto, produziu um nmero incalculvel de dejetos e detritos que esto orbitando nosso planeta a baixas altitudes (perigeo abaixo de 200km). As suas partes maiores, com mais de 10 centmetros, devero reentrar na nossa atmosfera em junho e julho prximos. Em maro de 2001 a estao espacial russa Mir, de 120 toneladas, voltou ao nosso planeta em uma queda controlada. Vrias partes, algumas com vrias toneladas, caram no Oceano Pacfico Sul, a leste da Nova Zelndia rea essa designada por tratados internacionais como nosso lixo espacial. O lixo espacial que mais deixou os cientistas apreensivos foi, sem dvida alguma, a estao espacial norte americana Skylab, de 69 toneladas, que em julho de 1979 caiu quase que totalmente descontrolada na Terra. Vrias de suas partes atingiram o oeste da Austrlia e o Oceano ndico. Cerca de quatro anos antes, um estgio de 38 toneladas do foguete Saturno II, que lanou a Skylab, j havia causado apreenso ao cair, tambm descontroladamente, no Oceano Atlntico, ao sul dos Aores. Em janeiro de 1979 um satlite militar sovitico (Cosmos 954) portando um pequeno reator nuclear ficou descontrolado, vindo a cair no Canad; felizmente em rea desabitada. O servio de inteligncia norte americano chegou a lanar um alarme atmico para os paises ocidentais. Casos como esses em que temos nossas vidas ameaadas por lixo espacial, aqui, na superfcie de nosso planeta, por enquanto ainda so poucos. Entretanto esses corpos, ameaando nossos satlites, tambm ameaam nossas pesquisas; comunicaes; informao; economia; etc.; e essa ameaa diria. Os nmeros no so precisos, mas segundo levantamento efetuado pela NASA (Agncia Espacial Norte Americana), calcula-se que existam por volta de 3,5 milhes de resduos metlicos; lascas de pintura; plsticos; etc., com dimenses inferiores a um centmetro, orbitando nosso planeta. Objetos entre um e dez centmetros, nessas mesmas condies, devem ser cerca de 17,5 mil; e sete mil com tamanhos maiores que dez centmetros. No total, devemos ter mais de trs mil toneladas de lixo espacial orbitando nosso planeta a menos de 200 km de altitude. At mesmo partculas nfimas como pequenssimas lascas de pintura, podem danificar irremediavelmente uma nave ou um satlite ou mesmo matar um astronauta devido s altssimas velocidades que adquirem. A velocidade mdia desses dejetos da ordem de 25 mil km/h. O acidente espacial mais grave at hoje registrado aconteceu em julho de 1996. Um satlite militar francs (Cerise) foi atingido por um fragmento de um foguete tambm francs (Ariane) que dez anos antes havia explodido no espao. O satlite se desestabilizou, vindo a cair, felizmente de forma controlada, em nosso planeta. Algumas aes (por enquanto ainda tmidas) tm sido realizadas para se enfrentar o problema do lixo espacial. Em fevereiro de 2007, a ONU deu um passo importante nesse sentido, aprovando as Diretrizes para a Reduo dos Dejetos Espaciais, em reunio do Sub-comit Tcnico-Cientfico do Comit da ONU para o Uso Pacfico do Espao (COPUOS). Tais diretrizes, entretanto, no tm sido seguidas. Em julho passado, por exemplo, os astronautas Clay Anderson e Fyodor Yurchikhin, limpando a Estao Espacial Internacional, descartaram no espao um tanque de amnia de 636 kg.