• Patrocinado por:

  • Busca

    Palavra Chave:

    Data:





Curiosidades


Assunto: Lixo espacial torna-se preocupao internacional
País: Brasil
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=lixo-espacial&id=010175100322
Data: 5/2010
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Lixo espacial O avano tecnolgico, com a criao dos programas espaciais e dos satlites, permitiu ao homem usufruir de servios considerados importantes como as telecomunicaes, a gerao de dados e de imagens da Terra e do espao, e a previso do tempo, apenas para citar alguns. Grande parte dos registros histricos na rea ocorreu nas ltimas dcadas do sculo 20. A primeira dcada deste sculo serviu de reflexo sobre a necessidade de maior controle da atividade, em especial, diante do acelerado crescimento no volume de detritos lanados na rbita terrestre - satlites desativados e restos de foguetes e de equipamentos que ameaam a segurana do sistema, o chamado lixo espacial. Reentrada da MIR Neste ms, comemora-se quase uma dcada de uma das maiores demonstraes de engenharia espacial e controle de artefatos distncia. No dia 23 de maro de 2001, a Rssia decidiu destruir a estao espacial Mir (Paz em russo), depois de 15 anos em rbita, mais de trs vezes o tempo previsto inicialmente para a sua vida til. O gigante de 137 toneladas retornou a Terra com manobras controladas por tcnicos da Agncia Espacial Europeia (ESA). A estao estava a 320 km da superfcie e foi conduzida em direo atmosfera. O choque com as camadas superiores provocou exploses e a sua queima. Os restos da Mir caram sobre uma rea do Pacfico Sul, entre a Nova Zelndia e o Chile. "A reentrada da Mir foi executada com segurana e preciso - um final apropriado para o seu recorde impressionante", disse Frank Longhurst, da direo da agncia russa Moscovo, responsvel pelo controle da misso. Assim, finalizou-se com sucesso a trajetria da estao russa, que teve o seu primeiro mdulo lanado em 1986; pela qual 105 cosmonautas, dos quais 81 no russos, de 11 nacionalidades, tiveram a chance de voar entre 1988 e 1999. Um ano antes do objeto mais pesado lanado ao espao voltar a Terra, a NASA realizou o seu primeiro retorno orbital completamente controlado. Tambm foi no ms de maro (de 2000) que engenheiros e cientistas da organizao comearam os preparativos para a descida gradual do Observatrio de Raios Gama Compton, de 17 toneladas, para o Oceano Pacfico. Experincia brasileira Dois significativos objetos que deixaram de fazer parte do conjunto de detritos que formam o chamado lixo espacial, uma das grandes preocupaes deste sculo - veja Lixo espacial e clima espacial entram na pauta da ONU. O pesquisador Marcelo Souza, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em So Jos dos Campos (SP), lembra que o Brasil tem acompanhado as aes internacionais de controle dos detritos. Em abril de 2003, um pequeno grupo de tcnicos pode observar a trajetria de reentrada do satlite BeppoSax. Construdo e lanado por companhias italianas e holandesas, em 1996, com finalidade parcialmente cientfica e para estudar os raios X emanados do espao csmico. A equipe recebeu as informaes da Agncia Espacial Italiana (ASI) e, ao refazer os clculos, conseguiu prever a queda no Oceano Pacfico com quase uma hora de antecedncia em relao s informaes oficiais. Representantes da Nasa tambm estiveram no Brasil, em outubro de 2000, para apresentar detalhes da operao do Compton. Mapa do lixo espacial De acordo com o primeiro relatrio divulgado neste ano pela Nasa, o volume de lixo espacial aumentou quase 20% em 2009 em relao ao ano anterior. O levantamento trimestral detectou em torno de 15 mil objetos ao redor do planeta, desde seo de foguetes a fragmentos diversos. Em 2008, foram observados 12.743 resduos. A avaliao feita usando radares e telescpios ticos e anlise de superfcies da nave em seu retorno do espao. As informaes sobre cada satlite fragmentado so descritas juntamente com as suas caractersticas orbitais, incluindo o nmero de detritos gerados. No relatrio da Nasa para os detritos espaciais (Nasa Orbital Debris Program Office) feita a contabilidade do lixo e apontados os maiores responsveis pela sua existncia. Dos 15.090 objetos que se encontram na rbita terrestre, 5.653 teriam sido de artefatos lanados pela Commonwealth of Independent States (CIS), seguida dos Estados Unidos, com 4.812 e da China, com 3.144. A Agncia Espacial Europeia (ESA) aparece como a entidade que menos produz lixo, responsvel por 85 objetos no espao. Meio ambiente espacial O crescimento do nmero de detritos acompanhado pelo avano dos programas espaciais. O pesquisador Antnio Bertachini, do departamento de Mecnica Espacial e Controle do Inpe, esclarece que o lixo espacial resultante, principalmente, de sobras de misses espaciais. "Quando um foguete leva um satlite para o espao sobram pedaos de todos os tamanhos, desde um estgio inteiro do foguete de dezenas de quilos a parafusos. Tudo isso que no utilizado chamado de lixo espacial". Bertachini ressalta que, a cada ano, so adicionados de 70 a 100 satlites no espao. "No comeo da era espacial se lanava um satlite por ano, hoje existem mais de 800. Ento, o problema s vai piorando e rapidamente", alerta. A constatao tambm foi feita pela ESA. De acordo com o ltimo relatrio da instituio, os quatro mil lanamentos de satlites feitos nos ltimos 50 anos produziram mais de 25 mil objetos observveis, que so maiores do que 10 cm de dimetro. Desses, 15 mil esto em rbita, mas o "nmero de partculas menores ainda maior", afirma o documento do Debie-1 (primeiro modelo de voo), tecnologia de satlites de pequeno porte dedicada, em parte, a monitorar o ambiente do espao. Choque de satlites O conjunto de objetos em rbita pode oferecer riscos navegao espacial, especialmente, aos voos tripulados. A consequncia disso a possibilidade de colises. Mesmo um pedao pequeno pode fazer um estrago muito grande, porque a velocidade no espao muito alta. "Um parafuso pode perfurar um satlite e destruir equipamentos a bordo", explica Bertachini. A presena de satlites desativados na rbita terrestre tambm uma preocupao. H pouco mais de um ano, em meados de fevereiro de 2009, o mundo acompanhou as notcias da primeira coliso entre dois satlites artificiais. O incidente envolveu um satlite ativo dos Estados Unidos e um desativado da Rssia, que no era mais usado desde 1995. A estimativa de que o choque possa ter gerado 1.500 fragmentos, aumentando consideravelmente o volume dos chamados detritos espaciais. A ocorrncia reacendeu o debate sobre acmulo de lixo espacial e sobre a necessidade de serem estabelecidas polticas mais efetivas para o registro, medio e monitoramento da rbita da Terra. Desde o lanamento do Sputnik pela antiga Unio Sovitica, em 1957, foram at verificadas outras colises na rbita terrestre de objetos de grande porte, feitos pelo homem, mas todos de menor peso. O pesquisador do Inpe refora que, apesar da coliso ter sido registrada recentemente, existem servios especializados, como nos Estados Unidos, para rastrear e monitorar os objetos maiores. "E a possvel saber onde eles esto e tentar evit-los. Mas pedaos pequenos so muito difceis de serem detectados. Existe um fator sorte muito grande numa misso espacial. Sempre existe uma chance de ter um problema como esse." Segundo Bertachini, a probabilidade de um objeto reentrar na atmosfera e atingir uma pessoa na superfcie muito remota porque quando ele passa pela atmosfera queimado. "Mas isso j aconteceu. Mesmo assim, como o planeta tem extensa rea de oceanos e de regies de desertos, fica ainda mais reduzida essa possibilidade; mas para os satlites essa uma ameaa constante", sustenta. Controle espacial O pesquisador Marcelo Souza, do Inpe, ressalta que o controle dos objetos no espao feito, hoje, por intermdio de telescpios pticos e radares. possvel avaliar os objetos com tamanhos acima de 10 cm de dimetro, inclusive por meio de ilustraes nos sites das agncias internacionais. O especialista salienta que a atividade espacial seria vivel mesmo sem ter esse monitoramento. Para ele, a necessidade desse controle ainda pequena, mas se torna cada vez maior. "O espao muito grande o que reduz as chances de coliso em geral. Mas , em algumas rbitas especiais, como a geoestacionria, h maior chance de incidentes pelo maior uso". Para reduzir os riscos, Souza considera importante incentivar a utilizao de outras rbitas e, no Brasil, estimular o interesse pelo assunto nas instituies ligadas rea. Direito espacial A discusso sobre a responsabilidade ou ainda sobre as formas para retirar o lixo no avanou muito nos 50 anos da era espacial. Muita coisa j foi pensada, sem solues concretas ou tecnologicamente viveis. Entre as ideias mais extravagantes est a de se construir uma imensa rede ou at um veculo espacial para arrastar e coletar o lixo. Uma das alternativas mais discutidas pelos especialistas a remoo do satlite de sua rbita antes de deixar de funcionar. Regra adotada na rbita geoestacionria (localizada a 36.700 km no plano da linha do Equador). Essa rbita considerada importante por abrigar os satlites ligados ao servio de telecomunicaes. "Mas nem todos os satlites tm motor para serem retirados e o lixo espacial predominantemente de peas", refora Bertachini. O tema ganha espao em congressos e eventos voltados discusso de programas espaciais. O Subcomit Tcnico-Cientfico do Comit da Organizao das Naes Unidas (ONU) para o Uso Pacfico do Espao Externo (Copous, na sigla em ingls) aprovou uma srie de diretrizes, em 2007, para tentar reduzir a incidncia de lixo em rbita daqui para frente. O documento foi oficialmente divulgado na 47 reunio do grupo, realizada de 8 a 19 de fevereiro ltimo, em Viena (ustria). A orientao repassada aos pases vai desde a limitao dos dejetos espaciais liberados durante o funcionamento dos sistemas espaciais necessidade de se minimizar os riscos de desintegrao, alm de realizar a reentrada controlada dos satlites em direo a Terra ao trmino da vida til. O diretor de poltica espacial e investimentos estratgicos da Agncia Espacial Brasileira (AEB/MCT), Himilcon Carvalho, destaca entre os temas em debate a importncia da maior troca de informaes entre agncias e operadoras para evitar incidentes e possveis falhas de comunicao. "Nesse sentido, comea a se discutir at a criao de uma Agncia Internacional de Trfego Espacial", informa. Cemitrio espacial O diretor da AEB considera o anncio das diretrizes para mitigao do lixo espacial um avano, mas avalia que as recomendaes devem ser obedecidas conforme a possibilidade de cada pas. "Complicado impor muitas regras para os que esto em desenvolvimento e tentando crescer, como o Brasil e a ndia, onde a atividade espacial ainda muito cara", pondera. Para o chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministrio da Cincia e Tecnologia (MCT), Jos Monserrat Filho, as diretrizes representam um passo importante, mas o documento ainda uma simples recomendao e precisa avanar no aspecto jurdico. Na avaliao do especialista em direito internacional, uma das alternativas para evitar que as centenas de satlites em atividade se transformem em lixo espacial ao fim de suas atividades program-los para que eles sigam em direo a outras rbitas. "Os pases esto preocupados com isso porque o lixo est nas rbitas mais utilizadas. Os satlites deveriam ser deslocados para rbitas mais distantes antes do trmino do combustvel", sugere. "O material usado tambm deve ser objeto de estudo para que seja de fcil manipulao quando se tornar um lixo espacial", avalia. De acordo com Monserrat, as medidas no so tomadas porque so caras e complexas. "Um grande desafio para os pases que desenvolvem programas espaciais. Como poderemos garantir a sustentabilidade e segurana dos procedimentos normais com o crescimento em grande escala do lixo espacial?", indaga.