Curiosidades

  • Patrocinado por:

  • Busca

    Palavra Chave:

    Data:







Curiosidades


Assunto: O destino do lixo
País: Brasil
Fonte: http://www.clubedaarvore.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=23
Data: 9/2010
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Em todo o Estado do Rio de Janeiro, dos 92 municpios, 67 ainda convivem com lixes e risco de contaminao ambiental. Dono de um valioso patrimnio ambiental, h anos o Estado do Rio de Janeiro "v" sua riqueza ameaada pela ausncia de polticas de coleta seletiva de lixo e reciclagem. De acordo com a Comisso de Meio Ambiente da Assemblia Legislativa do Rio, dos 92 municpios fluminenses, 67 ainda convivem com o risco de terem seus lenis freticos e recursos hdricos contaminados por lixes, onde milhares de famlias catam, literalmente, o seu ganha-po. Algumas iniciativas de Coleta Seletiva Mas, iniciativas pontuais em algumas cidades trazem esperana a este panorama assustador para ambientalistas, ainda que no representem, quantitativamente, grandes avanos na rea de reciclagem. o caso de Niteri, que alm de ter o maior ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado, gaba-se de ter sido a cidade pioneira na implantao de um sistema de coleta seletiva, hoje uma realidade entre 20% da populao do municpio. Orgulho maior ainda para os moradores do bairro de So Francisco, onde o projeto de triagem de lixo criado pelo professor Emlio Eigenheer completa 20 anos este ms. L, 50% dos moradores, algo em torno de 1.200 residncias, j separam o material reciclvel do lixo orgnico antes de jogar tudo nas caambas. Esta a rotina na casa de Irinete dos Santos, moradora de So Francisco. Ela e o marido Genival foram um dos primeiros casais a aderir coleta seletiva, logo depois que Emlio, formado em filosofia, voltou da Alemanha com idias sobre reciclagem e comeou a bater de porta em porta em busca de parceiros, com o apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF). - Um pessoal da UFF veio aqui e explicou que deveramos separar vidro, papel e papelo. Nunca tinha ouvido falar nisso at ento, mas hoje j temos uma vasilha especial aqui em casa para colocar o material reaproveitvel - conta Genival, hoje com 73 anos. A lio foi passada para os quatro filhos e os cinco netos. Dois deles, Priscila, de 17 anos, e Vanessa, de 13, tentam convencer os amigos na escola da importncia da separao do lixo. E at a noiva de um dos filhos de Irinete, moradora de outro bairro, aderiu coleta seletiva. - Ela separa o lixo na casa dela e traz para c, para ser reciclado - diz Genival. O material coletado pela famlia vai se juntar ao restante recolhido no bairro, na Grota do Surucucu, onde tudo separado e prensado para ser vendido. Por ms, o bairro junta de 20 a 25 toneladas de material reciclvel, o que no chega a 0,5% do total de lixo produzido por ms na cidade - 13.500 toneladas. - muito pouco em termos quantitativos, mas nossa iniciativa tem importncia simblica. Fomos uma das primeiras experincias sistemtica de coleta seletiva do pas, levada depois para Curitiba, Porto Alegre e outras cidades - comemora Emlio. Ambientalista lamenta a pouca participao O que os ambientalistas que atuam no estado lamentam que a iniciativa do professor tenha se difundido pouco por terras fluminenses. Srgio Ricardo de Lima, ex-secretrio-executivo da Associao Permanente de Entidades de Defesa do Meio Ambiente (Apedema) e membro do Comit da Bacia Hidrogrfica do Guandu, reclama da ausncia de aes integradas na rea de coleta seletiva, coordenadas por uma poltica pblica de reciclagem. Apesar de considerar a iniciativa niteroiense um indicativo positivo, ele ressalta que h muito o que fazer, desde a criao de programas de educao ambiental nas escolas formao de cooperativas de catadores de lixo. - O Estado do Rio ainda est na pr-histria neste assunto. Temos entre 40 e 60 lixes, segundo levantamento do Ministrio Pblico estadual. Megacidades como o Rio ainda no tm a coleta seletiva eficaz - reclama o ambientalista. A atuao do Legislativo Estadual Presidente da Comisso de Meio Ambiente da Alerj e autor de trs leis sobre reciclagem, o deputado estadual Carlos Minc (PT) observa que alm da questo ambiental, o no reaproveitamento do lixo tem efeitos econmicos gravssimos. Entre eles, o desperdcio de matria-prima e energia, a no criao de empregos em cooperativas e a diminuio da vida til dos aterros sanitrios. - Veja o caso de Gramacho (aterro sanitrio criado em 1978, em Duque da Caxias). Se 40% do lixo fossem reciclados, em vez de durar 20 anos o aterro poderia chegar a 28 anos. E hoje no teramos esta guerra por causa do aterro de Pacincia - afirma Minc. Srgio Ricardo chama a ateno ainda para o lado social do problema. Segundo ele, cerca de 15 mil pessoas vo diariamente ao aterro de Gramacho recolher material para reciclagem. - Esta situao cria um passivo humano gigantesco. So pessoas marginalizadas, que no entram jamais nos oramentos das prefeituras - critica. Coleta Seletiva - Venda de material gera R$ 18 mil O projeto pioneiro de coleta seletiva de Emlio Eigenheer nasceu, em parte, graas a uma crise que o professor vivia com a filosofia, naquela poca. Recm-chegado da Alemanha, onde vivenciou a separao do lixo como morador, Emlio estava em busca de atividades mais prticas. - Acabei arrumando uma atividade que tem interface com temas filosficos. O lixo gera um tabu, as pessoas o produzem mas depois criam um afastamento. Isso tem relao com o medo da morte - filosofa Emlio. Vinte anos depois, o nmero de residncias que aderiram ao projeto pulou das 100 iniciais para mais de 1.200. Em 1991, o professor tambm inaugurou um Centro de Informaes de Resduos Slidos, para orientar trabalhos acadmicos, que funciona na UFF. Mais do que isso: a iniciativa de So Francisco serviu de inspirao para a Clin, empresa de limpeza urbana de Niteri, que lanou seu projeto de coleta seletiva, tambm em 1991. Hoje j so 1.300 pontos cadastrados na cidade, entre residncias, escolas e hospitais, participando do programa de coleta seletiva. - Em maro, juntamos quase 100 toneladas de material reciclvel, o que ainda muito pouco. Estamos procurando engajar mais e mais a populao no projeto - diz Marcelo Figueiredo, diretor de destinao final de lixo da Clin. Figueiredo explica que todo o material coletado vendido. O dinheiro - entre R$ 15 mil e R$ 18 mil por ms - investido em projetos da prpria companhia, como uma oficina de artesanato na qual as crianas carentes fazem at brinquedos com o material reciclvel. Niteri produz cerca de 450 toneladas de lixo por dia. No Municpio do Rio, o volume dirio recolhido pela Comlurb, segundo Carlos Minc, de 9 mil toneladas. O deputado estima que em todo o Estado do Rio de Janeiro so recolhidos, aproximadamente, 20 mil toneladas por dia. Matria por: Prof. Julio Csar C. Leito - Coordenador de Educao Ambiental