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Assunto: O biogs do lixo como fonte de energia
País: Brasil
Fonte: http://www.tribunadobrasil.com.br/site/?p=noticias_ver&id=5428
Data: 11/2010
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Carolina Carvalho (*) A gesto de resduos slidos, ou seja, o tratamento do lixo urbano propriamente dito, constitui um conjunto de diretrizes que tem por objetivo diminuir e at mesmo eliminar os impactos causados pela gerao e disposio destes resduos em locais destinados a estes fins, os chamados aterros. Sem o gerenciamento adequado, as principais conseqncias a serem enfrentadas pela populao que vive prxima so: contaminao do solo e gua, com fungos e bactrias; aumento da populao de insetos e ratos, que so vetores de doenas graves; entupimento de redes de drenagem e escoamento; assoreamento de corpos dgua; emisso de gases txicos e gases que contribuem para o efeito estufa (o biogs); e por fim, aumento de custos com servios posteriores para consertar o estrago. Recentemente, visitei em Nova Iguau, Rio de Janeiro, uma Central de Tratamento de Resduos (CTR), responsvel pela recepo, tratamento e destinao final do lixo urbano. Para comear, o nico aterro sanitrio de grande porte que licenciado pela FEEMA (Fundao Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), Rio de Janeiro. Anteriormente, era o lixo da cidade, sem medidas de tratamento e segurana para a populao local, e foco de doenas e contaminao. Explicando em midos, um aterro funciona basicamente assim: a base do terreno impermeabilizada por argila compactada e uma manta de polietileno. Sobre esta base depositado o lixo coletado da cidade. A seguir, outra camada impermeabilizante aplicada sobre a camada de lixo recm depositada. Esta medida previne o lenol fretico de ser contaminado pelo lquido gerado na decomposio, o chorume. Alm das medidas impermeabilizantes, foram inseridos drenos para o chorume e biogs (lquido e gases decorrentes da decomposio da matria orgnica do lixo) serem captados para fora do volume de resduos. So bem interessantes as providncias tomadas em relao ao chorume e ao biogs na CTR Nova Iguau. O biogs tem sido aproveitado como fonte de energia para o tratamento do chorume. Vou explicar. O biogs composto por aproximadamente 50% de metano e 50% de dixido de carbono, ambos gases do efeito estufa (GEE), e pequenas quantias de nitrognio e oxignio. Atravs dos drenos que mencionei antes, o biogs captado e ativa unidades denominadas evaporadores, onde a gua e vapores contidos no chorume tambm coletado pelos drenos so evaporados e os slidos so sedimentados. Os vapores gerados por este processo (tanto do biogs como do chorume) passam por filtros e so constantemente monitorados e este processo acaba por quebrar a molcula de metano, evitando assim a emisso deste composto para a atmosfera. Com os slidos sedimentados, reduz-se o volume de chorume e seu potencial de contaminao. Este projeto de aproveitamento energtico do biogs para tratamento de chorume foi o primeiro do mundo a ser inscrito no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) na ONU, em 18 de novembro de 2004, e o primeiro com apoio do Banco Mundial. Como o prprio nome j diz, o MDL um mecanismo de flexibilizao do Protocolo de Quioto, que auxilia a reduo da emisso de gases do efeito estufa, promovendo o desenvolvimento sustentvel. Dados fornecidos pela CTR revelam que catadores do antigo lixo hoje trabalham na CTR. Ainda h um extenso programa no setor de responsabilidade social, que envolve integrao com a comunidade, promovido pela empresa, atravs de palestras com temticas ambientais, cursos profissionalizantes, oficinas de reciclagem e at mesmo alfabetizao. Quem desejar saber mais s acessar o site www.ctrnovaiguacu.com.br. Este um modelo de como os aterros sanitrios deveriam funcionar em todos os lugares do mundo. extremamente importante ter um modelo desses no Brasil, e mais importante ainda divulg-lo s pessoas, para que saibam que h atividades que realmente se comprometem com a sustentabilidade do meio e tambm com a populao. E para que levem adiante este exemplo, como um agente multiplicador, fazendo com que outros aterros tambm entrem neste sistema de gesto. E que o bsico desta gesto fique na cabea de todos: separar e reciclar o lixo sempre! (*) Carolina Carvalho geloga (UNESP), mestre em sensoriamento remoto (INPE) e doutoranda em planejamento energtico na Coppe (UFRJ).