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Curiosidades


Assunto: ABC produz 2,3 mil toneladas de lixo por dia, mas recicla s 1%
País: Brasil
Fonte: reciclaveis.com.br
Data: 10/2011
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://www.reciclaveis.com.br/noticias/01107/0110725abc.htm
Curiosidade (texto):
A produo de resduos slidos urbanos no ABC atingiu a marca de 2,3 mil toneladas por dia em 2010. Entre os maiores produtores esto So Bernardo e Santo Andr, com mdia de 273,7 mil e 332,4 mil toneladas em 2010, respectivamente. Os gastos com coleta, transporte e armazenamento de material recolhido esto na casa de R$ 90,5 milhes anuais na regio. Apesar disso, apenas 1% de todo o lixo produzido no ABC vai para cooperativas de reciclagem. Como meio de diminuir o problema do espao ocupado pelos resduos, as duas maiores produtoras de lixo da regio planejam usinas de incinerao, apesar de especialistas divergirem em relao aos benefcios da medida. Em So Bernardo o equipamento deve sair em 2014. J Santo Andr estuda a viabilidade. Em So Bernardo, cada um dos 765,4 mil muncipes descarta cerca de 890 gramas de lixo por dia, volume que gera custo anual de R$ 42 milhes, sendo R$ 24 milhes com coleta, R$ 18 milhes com o aterro sanitrio Lara, em Mau, e R$ 1,5 milho com a operao cata bagulho. Santo Andr paga R$ 64,80 por tonelada de lixo produzido e encaminha cerca de 2,7 mil toneladas de resduos para o aterro municipal mensalmente. Quinze estaes de coleta espalhadas pela cidade cuidam do recolhimento de entulhos. Os 386 mil moradores de Diadema produzem 9 mil toneladas de lixo por ms, o que gera gasto de R$ 15,2 milhes por ano com coleta, transbordo, transporte e destinao final para o aterro sanitrio Lara, em Mau. O municpio tem o programa P na Rua, que recolhe entulhos pela cidade, no entanto, no consegue especificar o gasto com a ao. A produo de lixo em Mau em 2010 foi de 91 mil toneladas, com gasto de R$ 6,7 milhes com transporte do lixo e R$ 6,7 milhes com o aterro. J So Caetano produz mdia diria de 1,1 kg de lixo por pessoa, volume de 60 toneladas em 2010, com gasto mdio de R$ 500 mil por ano. Trs municpios puxam queda na coleta Enquanto o volume de lixo coletado no Brasil teve alta de 7,7% na comparao entre 2009 e 2010, em Santo Andr, So Bernardo e Diadema a quantidade de resduos slidos armazenado caiu 12,7% neste perodo, segundo levantamento da Abrelpe (Associao Brasileira de Empresas de Limpeza Pblica e Resduos Especiais). A quantidade coletada nas trs cidades caiu de 1,9 mil toneladas por dia em 2009 para 1,7 mil um ano depois. O dado causa estranheza a Adriana Garcia Ferreira, coordenadora do departamento tcnico da Abrelpe. No saberamos explicar ao certo porque o volume de lixo coletado caiu no ABC, j que a tendncia universalizao do servio no Brasil e a coleta tem que funcionar, comenta. Semasa quer aterro completo em 2012 O Semasa (Servio Municipal de Saneamento Ambiental de Santo Andr) quer comear 2012 com 40 mil metros do aterro sanitrio em operao. Segundo Eldio Moreira, diretor de Resduos Slidos, no incio de agosto a autarquia ir protocolar pedido de licena de interveno na Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de So Paulo). Com a licena aprovada e em mos teremos de quatro a seis meses de obras, explica. Essa a nossa prioridade nmero um, sustenta. Em fevereiro deste ano, a Cetesb liberou a operao na rea de 6 mil metros quadrados, impossibilitada desde maio de 2010 devido a irregularidades. Mesmo com o sinal verde para a rea menor, o Semasa envia ao local apenas 10% dos resduos slidos da cidade. A quantia, segundo Moreira, uma forma de prolongar at fevereiro de 2012 a sobrevida do atual espao. Por ms, Santo Andr gera 27,7 mil toneladas de resduos slidos, dos quais 25 mil so destinados ao aterro Lara, em Mau. Pela migrao do lixo, so despendidos mensalmente R$ 1,6 milho (R$ 65,80 por tonelada). Se toda a projeo for ratificada, a cidade ter, a partir de 2012, uma rea de 46 mil metros para o aterro sanitrio, o que daria uma sobrevida de 13 anos. As ltimas exigncias da Cetesb para o espao maior visam a implantao do sistema de drenagem de guas pluviais, instalao de drenos horizontais nas camadas de resduos e a elaborao do programa de monitoramento geotcnico para a estabilidade do atual macio. Segundo informaes do portal do governo do Estado, a licena de operao, concedida a ttulo precrio, no incio deste ano, exclusiva para o recebimento de at 66.514 m de resduos na poro oeste. A CETESB, segundo o texto, continua analisando o pedido feito pelo Semasa para concesso da Licena de Instalao referente ampliao do aterro a uma segunda rea de 39.805 m contgua ao atual macio. Coleta seletiva insuficiente Todo ms a regio destina para a reciclagem cerca de 760 toneladas de resduos slidos, ou seja, cerca de 1% de tudo que produzido na regio. A coleta seletiva na maioria dos municpios realizada em trabalho conjunto com as cooperativas de triagem de reciclveis. Santo Andr a cidade que mais se destaca em quantidade de resduos coletados: 400 toneladas por ms. A coleta seletiva est presente em 100% do municpio desde o ano 2000. Atualmente o Semasa (Servio Municipal de Saneamento Ambiental) desenvolve um projeto para a instalao de um condomnio da reciclagem ao lado do aterro municipal. O objetivo destinar ao espao os resduos reunidos nas mais de 500 PEVs (Postos de Entrega Voluntria) espalhadas pela cidade. O incentivo para os muncipes realizarem a triagem voluntariamente uma das principais ferramentas dos municpios. Mau possui 150 pontos de coleta, onde so recolhidos por ms 60 toneladas de lixo reciclvel. Para a representante da Cooperma (Cooperativa de Reciclagem de Materiais de Mau), Idinia Bruno Ferreira, a conscientizao existe, mas ainda necessrio mais responsabilidade referente ao assunto. As famlias esto cada vez mais conscientes, mas o problema vem de cima para baixo. As prefeituras e as empresas acabam misturando o lixo, o que dificulta cada vez mais o nosso trabalho, denuncia. Para realizar uma triagem mais precisa, o municpio de So Caetano est em processo de implantao da coleta seletiva porta a porta nos bairros. O servio realizado uma vez por semana, acompanhado de orientao aos muncipes, em seis dos 15 bairros da cidade. Por ms, so coletadas 90 toneladas de resduos reciclveis. A coleta seletiva em Ribeiro Pires tambm realizada atravs da coleta porta a porta, com arrecadao de 30 toneladas por ms. Embora seja o maior entre os municpios, So Bernardo recicla atualmente apenas 1% do lixo coletado (cerca de 180 toneladas por ms), no entanto, planeja implantar um novo sistema de coleta com o objetivo de atingir 10% at 2016. Usina de incinerao divide opinies O ABC ter, a partir de 2014, a primeira usina de incinerao de resduos slidos. Instalado em So Bernardo, o equipamento poder produzir 30 MW/h de energia, suficiente para iluminar todas as ruas e prdios pblicos do municpio. Enquanto isso, a vizinha Santo Andr aguarda resultado de estudo feito por agncia americana para instalar tambm usina. Apesar da movimentao dos governos locais, a proposta gera debates e divide opinies. Para o engenheiro Eleusis Di Creddo, conselheiro da ABLP (Associao Brasileira de Resduos Slidos e Limpeza Pblica), diversos pases utilizam a incinerao para diminuir os problemas ocasionados pela produo de resduos slidos e, consequentemente, gerar energia. O aproveitamento energtico dos resduos apresenta algumas vantagens em relao tecnologia do aterro sanitrio, pois usinas podem ser implantadas mais prximas dos centros geradores de resduos, permitem a reduo significativa de peso e volume do lixo, alem de no emitirem gases do efeito estufa e no prejudicarem o meio ambiente, afirma. Segundo Di Creddo, apesar de benfica, a usina se torna muitas vezes invivel devido ao alto custo. So instalaes de alto custo de implantao e operao. Precisam de grandes quantidades de resduos e de uma complexa conjuno de valores de venda de energia para que se viabilizem, completa. A estimativa que a usina de So Bernardo receba aporte de R$ R$ 3,6 bilhes por meio de PPP (parceria pblico privada). Ledo engano J a professora de Educao Ambiental e Meio Ambiente do Centro Universitrio da Fundao Santo Andr, Angela Martins Baeder, integrante do comit executivo do Projeto Brasil-Canad (programa de cooperao entre os dois pases para buscar solues na questo de resduos slidos), as usinas no apresentam aspectos positivos. Falar que a usina resolve o problema de destinao final do lixo um ledo engano. Quando o lixo incinerado ele no poder mais se tornar matria-prima da cadeia produtiva, um problema. Falar que o que for reciclvel no ser incinerado mentira, pois o plstico e a borracha so as principais fontes de energia desta usinas, explica. Para Angela, a soluo est no investimento pblico. A incinerao no vai acabar com o lixo. Ele apenas ser esquecido, pois ocupar menos espao. O que necessrio investimento pblico em campanhas de educao ambiental para fazer com que as pessoas participem mais da coleta seletiva e diminuam o consumo de produtos que no podem ser reciclados, completa. Populao d exemplo de sustentabilidade A reciclagem gera emprego para todos. Antes apenas reciclvamos garrafas de plstico, agora fazemos varal deste produto e o prximo passo fabricar vassouras com o mesmo material. Alm de ajudar o meio ambiente, a ao gera mais emprego e renda, revela Antnio Srgio Almeida, ex-catador e agora motorista da fbrica de varal pet, em Diadema. O trabalho de coleta um dos nicos que hoje no exige escolaridade. Mas no se pode deixar o catador s esperando o lixo chegar. Tem de incentivar para que a pessoa no fique dependendo apenas da cooperativa, diz Claudinei Lima, integrante do Projeto Rede Gerando Renda - Catadores do ABC e coordenador de fbrica de varal pet, que emprega 6 pessoas em Diadema. Fundamos a empresa Vertas em 2009 e desde l percebi que muito material eletrnico pode ser recuperado, com isso aproveitamos os recursos e evitamos desperdcio. Conseguimos recuperar pelo menos 98% do material, comenta Walmir Cristino, qumico e proprietrio da empresa de reciclagem de equipamentos eletrnicos Vertas, em Santo Andr. Trabalho com reciclagem h nove meses e hoje acredito que possvel viver do reaproveitamento dos materiais, como o plstico. Alm de aprender como reaproveitar garrafas de plstico tambm fao a coleta seletiva em casa e trago os resduos slidos para a cooperativa, conta Nelson Souza Matos, funcionrio da fbrica de varal pet, em Diadema. Municpio Produo anual Produo por pessoa por dia Gasto anual Santo Andr 332,4 mil toneladas 0,87 kg R$ 13,9 milhes So Bernardo 273,7 mil toneladas 0,89 Kg R$ 42 milhes So Caetano 60 mil toneladas 1,10 kg R$ 6 milhes Diadema 116,8 mil toneladas 0,83 kg R$ 15,2 milhes Mau 91 mil toneladas 0,59 kg R$ 13,4 milhes Fonte: Jornal Reprter Dirio