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Assunto: Uma safra de plstico verde
País: Brasil
Fonte: Internet
Data: 11/2011
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/alternativa-limpa-etanol-brasileiro-materia-prima-veja-625434.shtml
Curiosidade (texto):
O plstico aparece numa posio inglria entre os maiores viles do meio ambiente. Uma garrafa PET, abandonada na natureza, poder levar um sculo para se decompor completamente. A produo de objetos plsticos, a partir de derivados do petrleo e do gs natural, tambm contribui com uma parcela considervel (cerca de 5%) do total de emisses de dixido de carbono, o CO2, um dos gases causadores do efeito estufa. necessrio plantar 314 000 rvores para neutralizar a emisso de carbono decorrente da produo de 10 milhes de garrafas PET de 2 litros cada uma. Apesar dos danos, o plstico est associado vida cotidiana. Sua versatilidade, resistncia e baixo custo o tornam difcil de substituir. As preocupaes com o impacto ambiental, no entanto, estimularam a pesquisa de alternativas. Na ltima dcada, a indstria qumica deslanchou o desenvolvimento de resinas plsticas derivadas de organismos vivos. O chamado plstico verde, originrio de fontes vegetais como a cana-de-acar e o milho, comea a ganhar escala comercial e j pode ser encontrado em embalagens de cosmticos, alimentos e bebidas, nas sacolas que acomodam frutas e verduras nos supermercados e at no acabamento interno de automveis. Na comparao com as resinas feitas de combustveis fsseis, ele leva vantagem por ser originado de uma fonte renovvel e causar impacto positivo na atmosfera, pois a fotossntese da planta faz a captao do dixido de carbono. A cana-de-acar brasileira desfruta status privilegiado como insumo do plstico verde. uma cultura que no compete com reas destinadas ao plantio de alimentos e produzida em larga escala. O etanol brasileiro foi a matria-prima escolhida pela Coca-Cola para o seu projeto global de desenvolver uma garrafa PET com 30% de origem vegetal (a empresa mantm pesquisas para alcanar 100%). A produo da garrafa, lanada em 2010 em nove pases - Estados Unidos, Brasil e Japo entre eles -, exige, atualmente, uma complexa logstica. A empresa americana compra etanol de usinas brasileiras e envia o combustvel para a sia, onde produzido um polmero. Esse polmero transportado aos pases onde as garrafinhas so finalmente feitas, inclusive o Brasil. Em 2010, 2,5 bilhes de embalagens saram das engarrafadoras com essa tecnologia, reduzindo em 20% o seu impacto da emisso de carbono - o equivalente a 60 000 barris de petrleo. Elas podem ser totalmente recicladas, a exemplo da garrafa PET tradicional, mas ambas no so biodegradveis. O projeto despertou o interesse de outras empresas. A Coca-Cola vai fornecer 120 milhes de embalagens para a americana Heinz em 2011, que as utilizar para vender seus famosos ketchups. Atenta a essa demanda internacional, a petroqumica brasileira Braskem investiu 500 milhes de reais para desenvolver uma resina 100% derivada da cana. A fbrica em Triunfo, no Rio Grande do Sul, foi inaugurada em setembro passado. O "polietileno verde", que serve de insumo para filmes, embalagens e utenslios domsticos, captura 2,5 quilos de dixido de carbono para cada quilo de resina. Como comparao, para sintetizar o polietileno do petrleo so emitidos 6 quilos de dixido de carbono. Antes que a fbrica comeasse a operar - e apesar do custo 40% superior ao da resina convencional -, multinacionais fecharam contratos de fornecimento, e hoje a demanda supera a capacidade de produo de 200 000 toneladas ao ano (equivalente a 7% da produo total de polietileno da Braskem). Alguns dos clientes so Procter & Gamble, Tetra Pak, Johnson & Johnson, Natura e Toyota. A maior parte exportada A necessidade de garantir o abastecimento ajuda a explicar por que o Brasil foi eleito por quem desenvolve biocombustveis e plsticos derivados da cana. A petrolfera britnica BP e a americana DuPont escolheram Paulnia, no interior paulista, para abrigar o laboratrio da Butamax, uma joint venture que formaram para desenvolver um lcool tambm derivado da cana, o biobutanol. Os planos preveem que ele seja produzido em larga escala no pas para exportao. "As novas tecnologias oferecem uma srie de oportunidades de aplicao", afirma Mario Lindenhayn, presidente no Brasil da diviso da BP para biocombustveis. Por trs das decises das multinacionais de investir no plstico verde esto mudanas globais nos hbitos de compra. Nos pases ricos, os consumidores no se importam de pagar um pouco mais caro para comprar um produto que tenha o selo verde. Onde h uma necessidade h tambm uma oportunidade, reza a velha mxima do mundo dos negcios. Com o plstico verde, o Brasil sai na frente mais uma vez ao oferecer uma alternativa eficiente aos derivados do petrleo.