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Assunto: Lixo na rua, lixo na mente
País: Brasil
Fonte: Planeta Sustentvel
Data: 10/2011
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/washington-novaes-residuos-solidos-aterros-brasil-504843.shtml
Curiosidade (texto):
Desde o ltimo domingo a cidade de So Paulo est mandando para aterros em outros municpios as 13 mil toneladas dirias de lixo domiciliar e comercial que produz, pois se esgotou a capacidade de seu ltimo aterro em funcionamento e ainda no est licenciada a rea adicional de 435 mil metros quadrados para onde se pretende expandir o So Joo (Estado, 2/10). Mais de uma vez j foram mencionados neste espao maus exemplos que o autor destas linhas documentou em Nova York (EUA) e Toronto (Canad). Na primeira, deixou-se esgotar o aterro para onde iam 12 mil toneladas dirias de resduos. E a soluo foi transport-las diariamente em caminhes para mais de 500 quilmetros de distncia, no Estado da Virginia, e deposit-las num aterro privado, ao custo de US$ 720 mil por dia (US$ 30 por tonelada para o transporte, outro tanto para pagar o aterro). Em Toronto tambm se esgotou o aterro para onde iam 3 mil toneladas dirias. E se teve de implantar um comboio ferrovirio para lev-las a 800 quilmetros de distncia. So apenas dois de muitos exemplos. No Brasil mesmo, Belo Horizonte j est mandando lixo para dezenas de quilmetros de distncia. O Rio de Janeiro tem de export-lo para a Baixada Fluminense. Curitiba esgotou o seu aterro, como muitas outras capitais. Mas h boas notcias tambm. Uma delas foi anunciada pelo prprio ministro do Meio Ambiente: vai criar um programa de remunerao para os catadores de lixo no Brasil, que j so cerca de 1 milho. graas aos catadores que no temos uma situao ainda mais grave no Pas, j que so eles que encaminham para a reciclagem em empresas (em usinas pblicas a porcentagem insignificante) cerca de um tero do papel e papelo descartado, uns 20% do vidro, talvez outro tanto de plsticos e a quase totalidade das latas de bebidas. Mas preciso avanar mais: implantar coleta seletiva em toda parte, encarregar cooperativas de reciclagem de recolher os resduos j separados, construir usinas de triagem operadas e administradas por elas, onde se pode reciclar cerca de 80% do lixo recolhido - transformando todo o lixo orgnico em composto para uso na jardinagem, conteno de encostas, etc.; todo o papel e papelo, em telhas revestidas de betume, capazes de substituir as de amianto com muitas vantagens; transformando todo o plstico PVC em pellets (para serem utilizados como matria-prima) ou em mangueiras pretas; moendo o vidro e vendendo-o a recicladoras, assim como latas de alumnio e outros metais. Por esses caminhos se consegue reduzir para 20% o lixo destinado ao aterro. Gerando trabalho e renda para um contingente hoje sem nenhuma proteo. Outra boa notcia (Estado, 2/10) a de que a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de So Paulo e a Cetesb concluram a vistoria dos ltimos 48 lixes em territrio paulista. Para 18 deles j h solues apresentadas pelas prefeituras. Outros 22 apresentaro suas solues ainda este ms e 7 j esto em processo de interdio; 13 lixes foram fechados nos ltimos dois anos. uma contribuio importante, j que quase metade do lixo domiciliar e comercial no Pas continua indo para lixes a cu aberto. No ser fcil equacionar a questo. Segundo estudo da Associao Brasileira de Empresas de Limpeza Pblica e Resduos Especiais (Abrelpe), implantar um aterro capaz de receber 2 mil toneladas dirias de resduos custa em mdia R$ 525,8 milhes; de mdio porte, para 800 toneladas/dia, R$ 236,5 milhes; e de pequeno porte, para 100 toneladas/dia, R$ 52,4 milhes (Estado, 7/9). Quantas prefeituras tm capacidade financeira para esse investimento, lembrando que a produo mdia de lixo por pessoa no Pas j est acima de um quilo por dia? No por acaso, o mercado da limpeza urbana, segundo estudo da Unesp, est em R$ 17 bilhes anuais. Mas no bastasse tanto lixo, ainda importamos desde janeiro de 2008 mais de 220 mil toneladas de lixo, pagando R$ 257,9 milhes, para ser reciclado e reutilizado em vrios setores industriais (Estado, 26/7). E h outros problemas. Diz, por exemplo, o noticirio deste jornal (16/8) que a Cetesb identificou 19 reas contaminadas por lixo txico s no Bairro da Mooca, que ocupam 300 mil metros quadrados - herana de seu passado industrial. Ser preciso descontaminar essas reas, com altos custos. E encontrar depsitos para o lixo perigoso. Talvez num deles se possa depositar tambm o altamente perigoso lixo poltico que est invadindo nossa vida pblica e poder ter consequncias funestas. Pode-se comear lembrando as declaraes do ministro de Minas e Energia, Edison Lobo, segundo quem "foras demonacas" tm criado obstculos ao licenciamento ambiental da Usina Hidreltrica de Belo Monte, no Rio Xingu (Estado, 30/9). A referncia era a ONGs, como o Conselho Indigenista Missionrio, e vrios outros movimentos sociais, alm do Ministrio Pblico Federal, que criticam o projeto. Mas atinge tambm estudos de universidades que tm demonstrado a precariedade das avaliaes sobre consequncias ambientais, sociais, polticas e econmicas daquela usina e pedido novos estudos, inclusive sobre o custo da implantao, ora estimado em R$ 9 bilhes, ora em R$ 30 bilhes. Sem argumentos, o ministro prefere demonizar os crticos - um caminho perigoso, porque o passo seguinte seria exorciz-los, talvez bani-los da vida pblica - ou coisa pior. Na mesma linha, as afirmaes do governador de Mato Grosso do Sul, Andr Puccinelli, de que o ministro do Meio Ambiente "maconheiro" e "homossexual" e que gostaria de "estupr-lo em praa pblica"(!). E, para completar, o presidente do PSC, Vitor Nsseis (O Popular, 3/10), que, para explicar a migrao de polticos para outros partidos, comparou-a a "uma relao entre marido e mulher": "Se o dinheiro sai pela porta, a mulher sai pela janela." Como se pode avanar na poltica com tanto lixo? *Washington Novaes jornalista