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Curiosidades


Assunto: O lixo nosso de cada dia vira negcio lucrativo
País: Brasil
Fonte: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-lixo-nosso-de-cada-dia-se-transforma-em-negocio-lucrativo/
Data: 4/2012
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-lixo-nosso-de-cada-dia-se-transforma-em-negocio-lucrativo/
Curiosidade (texto):
m R igual a reduzir. Outro R pode significar reutilizar. E o terceiro, reciclar. Este conjunto de aes nunca foi to importante. Em um cenrio de centros urbanos cada vez mais congestionados, com a gerao de montanhas de lixo, a soluo para os resduos tem que ser tratada como prioridade zero. O esforo conjunto, em modelo que envolve governos, empresas e a sociedade civil prev incluso social atravs de cooperativas de catadores, e tem lanado o Brasil como case de reciclagem no cenrio global. O pas hoje campeo na reciclagem de latas de alumnio, por exemplo, com taxa de 96%. So aproximadamente 9,4 bilhes de latas no ano ou 26 milhes de latas recicladas diariamente. Tambm cresce a reciclagem de garrafas PET, latas de ao, vidro, papelo e outros materiais. . Vrias empresas esto envolvidas nesta verdadeira cruzada em defesa no apenas de seus interesses, mas tambm do planeta, em ltima instncia. Seja em trabalho individualizado ou atravs de associaes e institutos, o setor privado tem procurado agir tambm junto ao poder pblico e em aes educativas. ONGs tambm tm participado ativamente deste esforo coletivo e voluntrios na causa procuram fazer sua parte. Que nos digam professoras de diferentes partes do pas, empenhadas em ensinar aos alunos a importncia de descartar os produtos em latas de lixo das cores certas e tambm a evitar consumos exagerados. Desde pequeno O jovem estudante Felipe d`Oliveira Meyohas, oito anos, estudante do 4 ano do Colgio Antares, no Rio de Janeiro, j sabe que errado jogar leo de fritura, por exemplo, no ralo da pia da cozinha. Como no seu bairro, Ilha do Governador (Zona Norte) no h coleta de lixo seletiva, ajuda os pais e dois irmos a lavar e recolher garrafas PET e latas de alumnio que so enviadas todos os sbados para a igreja prxima, onde h parceria com uma cooperativa de catadores. A conscientizao da famlia permanente: as roupas passam de um irmo para outro e tambm para os primos; no lugar das sacolas de plstico, a famlia prefere bolsas retornveis; pilhas e baterias de celular so descartadas em locais prprios e despedcios so evitados de toda forma. No d trabalho. Basta cada um fazer um pouquinho para ajudar a salvar a Terra, diz Felipe. O Instituto Akatu tem trabalhado a questo da reciclagem dentro do seu esforo na defesa do consumo consciente. Como lembra o presidente do Instituto, Helio Mattar, um grande benefcio da reciclagem que reduz o volume de lixo de tratamento genrico, redirecionando parte dos materiais para serem reprocessados. Dessa forma, h uma economia significativa de matria-prima, gua e energia, visto que para fabricar um produto a partir de material reciclado usa-se muito menos recursos naturais do que ao ser produzido a partir de matrias-primas virgens, explica. Mattar defende a participao ativa das empresas neste processo. Antes, observa, bastava companhia fabricar um bom produto e vend-lo a um bom preo para ser competitiva. Contudo, medida que os impactos da produo e das relaes das empresas com a sociedade foram sendo percebidos, os consumidores passaram a exigir uma nova postura dos fabricantes. Hoje, no se admite que uma fbrica polua um rio ou que uma empresa no tenha um servio de atendimento ao consumidor. Isso j o esperado, e quem no fizer assim dificilmente vai sobreviver no mercado. Logstica reversa H, porm, muito ainda a ser feito. Estima-se que apenas 3% de todo o lixo do pas seja reciclado. Nos Estados Unidos ou na Europa, este percentual varia de cidade para cidade, mas pode chegar na faixa de 70% ou at mais. As vantagens do processo so imensas: cada 50 quilos de papel usado transformado em papel novo evita que uma rvore seja cortada e com um quilo de vidro quebrado faz-se exatamente um quilo de vidro novo. O setor de reciclagem como um todo movimenta hoje no pas cerca de R$ 8 bilhes por ano, segundo dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). Em 1994, 81 municpios faziam a coleta seletiva em escala significativa. Em 2004 este nmero avanou para 237, em 2006 para 327 e em 2008 alcanou 405 (cerca de 7% do total de municpios no pas). Precisamos ter polticas pblicas bem definidas para que passemos rapidamente para um outro patamar, recomenda Andr Vilhena, diretor-executivo do Cempre. Assim, esforos devem ser cada vez mais pensados no conceito de rede, envolvendo toda a cadeia produtiva, sem jamais esquecer o aspecto da incluso social. E o lixo pode se transformar tambm em um grande negcio. Os avanos dos ltimos anos so inquestionveis. Mas ser preciso avanar bem mais diante dos desafios que surgem, adverte o consultor Carlos Rossin, scio da Pricewaterhousecoopers. fcil entender o que ele fala: a lei de resduos slidos est sendo discutida no Congresso e o que os especialistas chamam de Logstica Reversa (conseguir fechar o ciclo do produto, retornando origem) ser essencial. No mercado atual no h mais espao para aquela empresa que pensa apenas em vender, sem se comprometer ou pensar nos efeitos para a sociedade durante todo o ciclo do produto. At a hora do descarte, alerta Rossin. Exemplos das empresas Vrias companhias esto empenhadas neste esforo coletivo. Por diferentes frentes. A Tetra Pak, por exemplo, gigante na produo de caixas metalizadas que armazenam de leite a alimentos, criou uma rede virtual de coleta das embalagens longa-vida. Chamou de rota de reciclagem, com um recurso atravs de site na Internet, utilizando a tecnologia do Google Maps, capaz de apontar a localizao e o contato de cooperativas, pontos de entrega voluntria de materiais reciclveis e comrcios ligados cadeia de reciclagem de embalagens ps-consumo no territrio nacional (www.rotadareciclagem.com.br). A TIM, em parceria com o Banco Real (agora parte do Grupo Santander Brasil), estimula o descarte de baterias no programa Papa-pilhas, desde 1996. Em maio de 2009, atingiu a marca de 221 toneladas de pilhas, celulares e baterias usadas que foram recolhidas e destinadas para reciclagem. Somente neste ano j foram coletadas 60 toneladas em todo o Brasil. A gerente de sustentabilidade da TIM Brasil, Glria Rubio, acredita que os brasileiros esto comeando a adquirir o hbito de descartar corretamente produtos eletrnicos, mas defende uma maior participao das empresas no trabalho de conscientizao. Vamos intensificar nossa ao neste sentido, diz. A companhia incentiva tambm aes de reciclagem interna, como de papel e outros materiais. Todos os papis usados em impresso so reciclados, assim como as contas que so enviadas aos clientes. Se aparece algum papel branco sabemos que de fora. Temos campanhas internas e hoje este j um valor trabalhado intensamente por todos os funcionrios, diz. Este ano, lanou o TIM PDV, soluo que possibilita a compra de recarga pelos clientes nos pontos-de-venda. As transaes so online e acontecem por meio de comandos no celular habilitado, dispensando a necessidade de cartes. Assim, h reduo do consumo de plstico e papel, usados na produo dos cartes de recarga, e da emisso de CO proveniente do seu transporte. Na Embraer, fabricante de avies, com sede em So Jos dos Campos, os compromissos com reciclagem esto impregnados ao longo de todo o processo produtivo. O Programa Embraer de Reciclagem Coletiva comeou em 98: os funcionrios participam ativamente da separao de todo o material, desde copos, papel, madeiras, pilhas e baterias, at o leo de cozinha. Em mdia, 1,6 kg de resduos por empregado ms foi reciclado em 2008. Isso significou 81% de todo o lixo gerado pela Embraer, ou 322 toneladas recicladas. Parte destes resduos pode ser trocada com outras indstrias por novos produtos e itens reciclados. Atravs de uma central de resduos orgnicos e de um depsito de resduos industriais, todo o lixo e a sucata gerados passam por um processo de separao e seleo para s depois ter a destinao final adequada. O Ita Unibanco tambm tem uma srie de aes que incentiva a reciclagem. Este um processo que precisa ter a adeso dos funcionrios e colaboradores. No adiante ser imposto. Precisa ser construdo em conjunto, observa Sonia Consiglio Favaretto, superintendente de Sustentabilidade do Ita Unibanco. Para estimular este processo, em abril deste ano foi lanado o BIS Banco de Ideias Sustentveis, criado para estimular todos os colaboradores a refletir e a dar ideias sobre o tema sustentabilidade, com sugestes que possam ser colocados em prtica no banco. Apenas na primeira semana de inscries o programa recebeu 400 sugestes, e hoje conta com mais de 1.000 inscries. A criao do BIS pretende conscientizar e mobilizar os colaboradores para as questes sustentveis que envolvem a atuao do Ita Unibanco. Muitas vezes a ao sustentvel est ali, poderia ser implementada, mas no recebe a devida ateno para ser colocada em prtica. Queremos estimular este momento de reflexo e dar foco a atitude assertiva de cada funcionrio, afirma Sonia. Novo processo para PET Os exemplos, felizmente, brotam por todos os lados. A Coca-Cola Brasil tambm partiu para a ao h alguns anos, com um conjunto de prticas, dentro da plataforma Viva Positivamente, que vai desde o uso eficiente e racional da gua, passando pela preocupao com suas embalagens at prticas mesmo diretas de reciclagem. No uma ao isolada. A Coca-Cola em todo o mundo tem esta preocupao, diz Marco Simes, vice-presidente de Comunicao e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil. O chamado Sistema Coca-Cola Brasil (formado por fbricas franqueadas) utiliza 2,08 litros de gua para cada litro de bebida produzido, incluindo o litro que vai dentro da embalagem, um dos melhores ndices da indstria do mundo. E em reciclagem tambm um case global. A grande novidade, aguardada com ansiedade pelo mercado consumidor, ser a inaugurao, provavelmente ainda em 2010, da primeira fbrica brasileira de garrafas PET que produzir a embalagem a partir da reciclagem de material, a chamada bottle-to-bottle. Alguns grupos j testam a tecnologia e a corrida entre os fabricantes quem sair na frente. Antes, a legislao no permitia esta produo. Ser, sem dvida, uma mudana de patamar. Fbricas deste tipo j existem nos Estados Unidos, Europa e Mxico, por exemplo,, observa Jos Mauro de Moraes, diretor de Meio Ambiente da Coca-Cola Brasil. Ele prev que deva ocorrer por aqui o mesmo fenmeno j visto nos outros mercados, em um crculo virtuoso: o aumento da demanda pela resina reciclada, agregar valor cadeia de suprimentos, o que favorecer especialmente catadores e cooperativas de catadores. Outro importante ganho com a utilizao deste processo, explica, est ligado ao meio ambiente porque, com o processo, haver menor utilizao de matria-prima virgem, o que economiza petrleo. A expectativa que nos prximos 10 anos, at 25% da resina PET utilizada no Brasil seja material reciclado. A Coca-Cola tambm incentiva aes de reciclagem, atravs do programa Reciclou, Ganhou, lanado em 96. Hoje, o programa apoia 70 cooperativas de catadores em 17 estados brasileiros (foto). Alm de estimular a reciclagem atravs do apoio direto s cooperativas, o programa tambm engaja os consumidores. Uma parceria do Instituto Coca-Cola Brasil com a rede de supermercados Wal-Mart j criou 284 estaes de reciclagem. A iniciativa envolve os consumidores e ainda contribiu para os altos ndices de reciclagem no pas. Crianas A Associao Brasileira de Latas de Ao (Abeao) tem intensificado o trabalho educativo com escolas. Em 2007, fez o Aprendendo com o Latao, com o objetivo de ressaltar as vantagens da lata de ao na busca de um consumidor mais consciente de suas escolhas. No ano passado, em parceria com a Gerdau estendeu o projeto para duas lojas do Carrefour. A parceria que leva o nome Aprendendo com o Latao a Reciclar, aconteceu durante as inauguraes das estaes de reciclagem nas lojas do Carrefour. As crianas, que foram acompanhadas dos pais para fazer as compras ou apenas para levar resduos para coleta, puderam participar de oficinas de reutilizao e produzir objetos feitos a partir de latas. Alm disso, foram passados conceitos de reciclagem, ps-consumo e reutilizao de material. Tambm foram montadas estaes de reciclagem, em parceria com a Gerdau e Carrefour, voltadas para adultos e crianas. Em 2008, no Brasil, atingimos 47% do ndice de reciclagem das latas de ao o que representa mais de 290 mil toneladas de ao retornando ao processo de fabricao do material, afirma Thays Fagury, gerente executiva da Abeao. Pases como Alemanha, Holanda e ustria chegam a reciclar quase 80% do total de embalagens de ao ps-consumo. Polmica O plstico tem sido visto, nos ltimos tempos, como verdadeiro vilo do mundo moderno. No para menos: cada saco plstica demora cerca de 400 anos para se desintegrar no meio ambiente. O Brasil consome 12 bilhes de sacolas plsticas por ano e cada brasileiro usa cerca de 66 sacos por ms, segundo dados da Associao Brasileira de Supermercados (Abras).Sacolas plsticas passaram a ser trocadas pelas charmosas eco bags em diferentes pontos do planeta, inclusive em terras brasileiras. O Grupo Po de Acar, um dos primeiros a comercializar e estimular o uso das sacolas retornveis, j vendeu mais de 600 mil unidades de ecobags. Uma sacola retornvel chega a substituir at oito sacolas plsticas, o que neste caso significa a economia de 4,8 milhes de embalagens plsticas e seu descarte no meio ambiente. H sacolas em parceria com a ONG SOS Mata Atlntica e no Extra (do mesmo grupo) com a Casa Hope, com 100% de PET reciclado. O lucro obtido com a venda vai para estes parceiros. So vendidas sacolas em rfia e outras que se encaixam nos carrinhos. Lanado em 2005, o projeto de comercializao de sacolas retornveis est disponvel tambm nas redes Extra e CompreBem e chega agora ao Sendas e ABC CompreBem. A rede tambm tem estaes de reciclagem, estimulando os clientes a descartar embalagens nas suas lojas. Recentemente, para incentivar ainda mais o uso das sacolas retornveis, foi lanado um programa de incentivo, com a presena do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc: quem quiser usar as ecobags ganha pontos que so trocados por vale-compras. A ao comeou em So Paulo, em maro e j contabilizou mais de 500 mil pontos em 100 mil compras at fim de abril. O presidente da Associao Brasileira da Indstria de Plstico (Abiplast), Merheg Cachum, diz que todos os produtos so reciclveis, inclusive o plstico, que no pode ser desprezado ou visto como vilo. Se um saco vai parar em um bueiro, no foi sozinho. Algum jogou ele ali. Precisamos ter mais aes educativas. O plstico muito til e faz parte de nossas vidas. O setor criou o Instituto Scio-Ambiental dos Plsticos (Plastivida), justamente com este objetivo mais educativo e para tentar desmistificar esta polmica em torno do produto. J existe no Brasil, a reciclagem do tipo qumica e mecnica do plstico, mas a energtica, segundo Francisco de Assis Esmeraldo, presidente do Plastivida, que poder, em breve, revolucionar esta relao. Com investimento e tecnologia nacional j existente, estes resduos poderiam ser tratados em Usinas de Recuperao Energtica, transformando-se em energia eltrica e trmica, por meio de processo industrial que no agride o meio ambiente, explica Esmeraldo. De olho no espao para o plstico biodegradvel, a Bunge acaba de lanar o creme vegetal Cyclus Nutrycell, com a primeira com embalagem plstica biodegradvel, proveniente de fonte renovvel. Fabricada com o moderno polmero PLA (sigla em ingls para poli-cido ltico), obtido a partir da fermentao do amido de milho, a nova embalagem do creme vegetal Cyclus Nutrycell se decompe em at 180 dias aps descarte adequado. O projeto da nova embalagem envolveu dois anos de testes e pesquisas. Incluso social Vrias aes educativas e de incluso esto sendo praticadas em todo o pas. ONGs, como a Recicloteca, a Doe seu lixo, fundada pela atriz Isabel Fillardis com a famlia e diversas cooperativas (Martess, rvore da Vida, Ciclo Ambiental, etc) que transformam lixo em luxo. Atualmente, com a crise econmica, a atividade das cooperativas de catadores foi bem afetada. O preo da sucata despencou. O quilo do ferro para reciclagem caiu 62% em So Paulo, por exemplo, de novembro do ano passado at fevereiro deste ano. Como mostrou reportagem da Agncia Brasil, as entidades de catadores foram Braslia reivindicar providncias do governo. Do mesmo jeito que as empresas recebem incentivos fiscais e econmicos dos governos federal estadual e municipal, ns tambm queremos ajuda. At porque so as cooperativas as verdadeiras geradoras de emprego, afirmou o coordenador do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Reciclveis (MNCR), Roberto Laureano. Estima-se que haja cerca de 800 mil catadores de material reciclvel no Pas. A absoluta maioria no tem carteira assinada e responsvel por parte significativa do processo de reciclagem, mas fica apenas com uma fatia pequena do lucro. Se a remunerao no alta, tem um efeito multiplicador imenso. A incluso social a partir das cooperativas um fator que tambm tem diferenciado o Brasil como modelo avanado. Isso muito interessante, orgulha-se o diretor do Cempre, Andr Vilhena. Este know-how social est sendo exportado para outros pases, como Peru e Repblica Dominicana. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social (BNDES), maior financiador da produo nacional, tem apoiado tambm algumas destas cooperativas. Em 2007, foram apoiados 34 e em 2008, 23 novos projetos. Foi realizada pesquisa com integrantes de cooperativas de catadores de materiais reciclveis apoiadas pelo Banco detectando avanos significativos na qualidade de vida dos cooperados e de suas famlias.O questionrio foi respondido por 59% dos 2.032 catadores que trabalham em cooperativas apoiadas pelo BNDES. As respostas mostram que houve melhora no relacionamento familiar (82%); nas condies de higiene dos cooperados (79,6%); na alimentao dos cooperados e da sua famlia (78,85%) e no conforto das moradias (69,3%). Outros avanos evidenciados foram a melhoria no ambiente de trabalho e no relacionamento entre os cooperados, bem como na conscincia em relao aos seus direitos e deveres. O jornalista Srgio Adeodato, veterano especialista em Meio Ambiente, visitou vrias destas cooperativas de catadores no mergulho de cuidadosa pesquisa para preparar retrato preciso sobre o processo de reciclagem no Brasil. A primeira cooperativa do pas foi a Coopamare (Cooperativa dos Catadores Autnomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitveis) a partir de um pequeno grupo de catadores, reunidos no Centro de So Paulo em 1989. um trabalho de muito valor social, conta. O resultado pode ser conferido no livro Reciclagem ontem, hoje e sempre. O livro relata que a reciclagem no mundo comeou no ps-Segunda Guerra e no Brasil pelas mos do Grupo Klabin. Muitos anos, avanos tecnolgicos gigantescos e chegamos ao estgio atual. Lei de Resduos Tramita no Congresso nova proposta de Poltica Nacional de Resduos Slidos, cujo relator o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Seu relatrio final est para ser votado. O relator, j apresentou uma minuta que reformula o texto analisado h trs anos. A nova verso da proposta, se aprovada pelo grupo, ser levada ao Plenrio como alternativa ao relatrio da comisso especial. Entre as principais medidas previstas no novo texto, est a proibio da importao de pneus usados e de outros resduos. Alm disso, as empresas que fabricarem ou colocarem no mercado agrotxicos, pilhas, baterias, pneus, leos e lubrificantes ficaro responsveis pela destinao adequada dos resduos desses produtos. Segundo Arnaldo Jardim, o Brasil est atrasado em matria de gesto de resduos slidos, pelo fato de no contar ainda com uma poltica nacional que oriente a atuao dos rgos governamentais nas diferentes esferas da federao. Muitas vezes, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) legisla nessa rea, devido ausncia de uma lei geral, afirmou. Em entrevista Plurale em revista, o ministro das Cidades, Marcio Fortes, disse que o ministrio contribuiu com a elaborao do anteprojeto. Criamos uma grande expectativa em torno dessa poltica, que tem interface com a Lei do Saneamento. Teremos, a partir dele, um instrumento legal que dar sustentabilidade s obras hoje executadas em parceria com as prefeituras, que contribuir, tambm, para a organizao da prestao do servio e para a incluso social dos catadores. Algumas prefeituras esto mais avanadas no trabalho, outros menos. Em um ponto certo. O setor privado e a sociedade podem fazer parte do trabalho, mas apenas polticas pblicas conseguiro realmente transformar este quadro para um novo patamar. A nova poltica nos far dar um salto em termos de gesto dos resduos, acredita Andr Vilhena, do Cempre. No Rio, a vereadora Aspsia Camargo (PV) fez a lei da Gesto Integrada dos Resduos Slidos. A Gesto Integrada de Resduos Slidos pode ser definida como a maneira de conceber, implementar e administrar sistemas de Limpeza Pblica considerando uma ampla participao de toda a administrao pblica e dos setores da sociedade, com a perspectiva do desenvolvimento sustentvel envolvendo as dimenses ambientais, sociais, culturais, econmicas, polticas e institucionais. Biogs Em alguns casos, o setor privado de olho no lucro do lixo tem avanado. Para quem no sabe, no s a reciclagem, mas tambm a queima de lixo e at mesmo aterro sanitrio com perspectiva de gerao de crditos de carbono podem, nas mos de gestores privados, se transformar em negcio lucrativo. No Rio, recentemente, a Novo Gramacho Energia Ambiental inaugurou nesta sexta-feira, dia 5, a Usina de Biogs do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, que produzir por meio da decomposio de matria orgnica do lixo cerca de 160 milhes de metros cbicos de biogs por ano. A energia gerada com a produo de biogs ser equivalente de gs natural consumida pelas residncias na cidade do Rio, evitando a liberao de 75 milhes de metros cbicos de metano por ano na atmosfera. O projeto, o maior do Brasil em reduo das emisses de gases de efeito estufa, demandar investimentos de R$ 91 milhes at a sua fase final dos quais R$ 41 milhes j foram aplicados. O restante ser investido na purificao do gs e no seu transporte, alm de obras de compensao ambiental. O projeto da Novo Gramacho tambm o maior do mundo em crdito de carbono em aterro sanitrio com aprovao da ONU, com estimativa de obter 10 milhes de crditos de carbono em 15 anos de atividade. O papel de cada consumidor seja individualmente ou atravs de presso junto s autoridades pblicas tambm muito relevante. Como refora Helio Mattar, do Akatu, s haver uma mudana de comportamento de consumo se o consumidor se der conta de que pequenas atitudes, repetidas ao longo do tempo, fazem muita diferena. Dessa forma, possvel mostrar ao consumidor que seu ato individual de consumo, ao longo de sua vida, tem um impacto importante sobre a sociedade e o meio ambiente. importante tambm, acrescenta Mattar, que cada consumidor se perceba como um multiplicador de seu modelo de consumo. Todos juntos fazem muita diferena, mesmo em pouco tempo. nisso que precisamos acreditar. O planeta agradece. Faa sua parte - Recicle ao mximo. Torne-se um militante. Se no seu bairro no tem coleta seletiva, procure cooperativas prximas ou supermercados que recolham material Aprenda a reciclar. No se pode misturar o lixo orgnico, ou molhado (resto de comidas, folhas, etc) do lixo seco, que ser reciclado. Em alguns condomnios grandes j h coleta separada por cada item latas, PET, papel, etc mas se no for o seu caso, pode separar apenas a parte reciclvel, bem seca e limpa (vidros, PET, latas, papel, etc) e depois procure como vai descartar corretamente este material Ateno, alguns materiais no so reciclveis. Exemplo: metalizados, fita crepe, papel higinico, papel toalha, fotografia, adesivos e etiquetas. Evite produtos com muitas embalagens (aqueles com uma caixa de papelo imensa apenas para um pacotinho dentro). Vrios mercados j incentivam o descarte destas caixas ali mesmo na loja Nunca jogue gordura usada no ralo da pia. Vrias cidades j contam com ONGs e empresas que recolhem gratuitamente o leo Faa uma busca em casa e veja a quantidade de lixo eletrnico guardado. Descarte corretamente pilhas e baterias de celulares Sempre que possvel troque as sacolas de plstico e por sacolas retornveis (ecobags). Como em alguns casos inevitvel o plstico, procure reaproveitar os sacos para o lixo e cobre do estabelecimento que utilize material oxibiodegradvel Recicle tambm roupas e material que no usa mais.