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Curiosidades


Assunto: Catadores apostam em reciclagem de lixo eletrnico
País: Brasil
Fonte: Folha de So Paulo
Data: 11/2012
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1154573-catadores-apostam-em-reciclagem-de-lixo-eletronico.shtml
Curiosidade (texto):
O catador de materiais reciclveis Douglas Moreira Pires da Silva, 33, passou a frequentar em agosto um curso na USP (Universidade de So Paulo) para certific-lo como reciclador de computador e aparelho celular. Ganhando em mdia R$ 450 por ms com a reciclagem de papel, papelo, plstico, ferro e sucata, espera aumentar sua renda para at R$ 800 com a nova atividade na cooperativa em que trabalha, na Grande So Paulo. "Antes, a gente recebia um computador e vendia como sucata a R$ 0,30. Agora, a gente consegue at R$ 8 com um quilo de processador", disse Silva, que casado, pai de dois filhos e mora com a me, tambm catadora. Ainda sem uma definio oficial da responsabilidade sobre o lixo eletrnico, universidades de So Paulo e do Rio apostam nessa classe de trabalhadores para dar a correta destinao aos equipamentos que j esto sem uso. Na USP, at agosto, 169 catadores de 60 cooperativas fizeram o curso (15 turmas) oferecido em parceria com a Petrobras. Na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o curso dado por meio de uma incubadora tecnolgica de cooperativas populares. "Os catadores aprendem a lidar com o material eletrnico e conseguem se tornar referncia para descarte correto e aumentar a renda", disse Walter Akio Goya, professor do curso na USP. A lgica do curso comum a todos os participantes. Acostumados a trabalhar apenas com papel, papelo, plstico, ferro e sucata, os catadores aprendem a separar as peas dos equipamentos e vendem por valor mais alto. Uma tonelada de lixo eletrnico gera 350 kg de ferro, 170 kg de cobre, 150 kg de fibras e plsticos, 70 kg de alumnio e 25 kg de chumbo, e de 300 gramas a 1 quilo de prata, 300 gramas de ouro e de 30 a 70 gramas de platina. Me de trs filhos, a catadora Joana Darc Cardoso, 28, disse que se surpreendeu com os riscos sade ao manusear um equipamento sem conhecimento. "Agora que sei, vou fazer o melhor trabalho e ganhar mais", disse. Ela pertence a uma cooperativa da zona norte de So Paulo. Quando o trabalho estiver a todo vapor, espera receber at R$ 2.000 por ms. Tesoureiro de uma cooperativa em So Paulo, Walison Borges da Silva, 27, fez o curso h 14 meses. A renda obtida com o trabalho depositada numa poupana. No final do ano, eles dividem o recurso com os 24 cooperados. "Os computadores vm de empresas e da prpria comunidade. Se recebemos mais, temos condies de aumentar a nossa renda", disse. Numa das vendas, os cooperados faturaram R$ 4.000. LDER ENTRE EMERGENTES A Poltica Nacional de Resduos Slidos responsabilizou os fabricantes pelo descarte do lixo eletrnico. Atualmente, se discute a gesto compartilhada entre o fabricante, o comerciante e o usurio. As regras tm de ser implementadas em um prazo de dois anos --at 2014. O descarte de computadores e celulares no Brasil um problema. De acordo com dados das Naes Unidas, o pas o maior entre os emergentes --considerando inclusive China-- na produo per capita de lixo de computador: 0,5 quilo por ano. CONTAMINAO Sem reas de destinao adequadas, os equipamentos acabam em lixes, contaminando o ambiente. "S fazendo muita presso que poderemos ter uma poltica sria nessa rea", afirmou a coordenadora do projeto na USP, Tereza Cristina de Brito Carvalho. No Cedir (Centro de Descarte e Reso de Resduos de Informtica) da USP chegam por ms, em mdia, 12 toneladas de equipamentos que passam por triagem e so recuperados ou desmontados. Os computadores recuperados so doados a instituies para auxiliar na educao digital. Oitocentos equipamentos j foram entregues, segundo a coordenadora do projeto. Aqueles que no tm recuperao so encaminhados para a reciclagem.