• Patrocinado por:

  • Busca

    Palavra Chave:

    Data:





Curiosidades


Assunto: Brasil joga no lixo 26,3 milhes de toneladas de alimentos por ano
País: Brasil
Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2013/08/26/internas_economia,439776/brasil-joga-no-lixo-26-3-milhoes-de-toneladas-de-alimentos-por-ano.shtml
Data: 1/2014
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2013/08/26/internas_economia,439776/brasil-joga-no-lixo-26-3-milhoes-de-toneladas-de-alimentos-por-ano.shtml
Curiosidade (texto):
Dados so do levantamento da FAO. Essa quantidade saciaria 13 milhes de famintos e poderia reduzir a inflao Diego Amorim - Correio Braziliense Carolina Mansur Publicao: 26/08/2013 00:12 Atualizao: 26/08/2013 07:22 O Brasil esbanja recursos naturais. De tudo se perde. A cada ano, 26,3 milhes de toneladas de comida so jogados fora: volume suficiente para distribuir 131,5kg para cada brasileiro ou 3,76kg para cada habitante do planeta. Toda essa comida alimentaria facilmente os 13 milhes de brasileiros que ainda passam fome, nas contas da Organizao das Naes Unidas para Alimentao e Agricultura (FAO). Poderia ainda facilitar o trabalho do Banco Central no combate inflao. Com uma oferta maior de produtos, os preos no subiriam tanto e o pas poderia at mesmo diminuir a importao de feijo preto da China. O desperdcio de comida provoca mais do que prejuzos financeiros, gera revolta e inconformismo. Ainda assim, o Brasil pouco se mobiliza no sentido de mudar esse quadro. Desde 1998, a chamada Lei do Bom Samaritano, em aluso a uma passagem bblica, tramita no Congresso Nacional, e no h previso alguma para que seja votada. A inteno da proposta isentar doadores de alimentos de responsabilidade civil e penal, se agirem de boa f, na distribuio de comida semelhante ao que ocorre em pases da Europa e nos Estados Unidos. Enquanto essa lei no aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislao atual prev at cinco anos de priso caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrncia da comida. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, se sentem obrigados a despejar no lixo as sobras dirias da produo. um crime, define o diretor-executivo da Associao Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na legislao, segundo Timo, poderia ajudar e muito o Brasil a conter o desperdcio. A regra em vigor completamente inapropriada. Por parte do setor, no falta boa vontade, insiste o representante da Abrasel, ressaltando que em outros pases existem programas organizados de doaes, para evitar que toneladas de comida em bom estado acabem no lixo. Entraves Combater a assombrosa perda de alimentos, no entanto, muito mais complexo. O pesquisador Antnio Gomes, do Centro de Agroindstria de Alimentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (Embrapa), enumera outros entraves, como o manuseio inapropriado dos produtos no campo, as embalagens inadequadas utilizadas no transporte e o armazenamento ineficaz no atacado. Aprimorar o escoamento da produo agrcola, sustenta Gomes, aumentaria a oferta de alimentos sem a necessidade de alterar a rea plantada. Em determinados casos, como o da banana e o do morango, o desperdcio no caminho entre a propriedade e a prateleira do supermercado chega a 40%. Quem arca com esse prejuzo o consumidor, lembra o pesquisador da Embrapa, ao explicar que no fim das contas o produto que se perdeu no caminho se converte em aumento de preo. O desperdcio de que fala Gomes facilmente percebido nas centrais de abastecimento. Por dia, os irmos Berlndio e Ernandes da Silva jogam no lixo de 50 a 60 caixas de alimentos que, na avaliao deles, no poderiam ser aproveitados. s vezes, a comida j chega estragada. Ou ento com uma aparncia que a gente sabe que a dona de casa no vai comprar, diz Ernandes. VIDA REAL So muitos os brasileiros que diariamente ficam de prontido nas Ceasas espalhadas pelo pas, enquanto funcionrios separam as frutas e verduras aceitveis pelo mercado. A gente fica sentido, porque, mesmo assim, a perda muito grande. Tanta gente passando fome e ns aqui jogando essa comida no lixo, desabafa Berlndio. Desde que contraiu uma trombose na perna e perdeu o emprego de auxiliar de servios gerais, Cilene de Sousa Rodrigues, de 47 anos, vai Ceasa de Braslia duas vezes por semana garantir os alimentos da casa, onde vive com seis pessoas. Isso aqui ouro, afirma ela, segurando uma ma retirada de uma caamba de lixo. Amanh dia de verdura, avisava ela. Todos os dias milhares de pessoas tambm desperdiam comida nos restaurantes. Alm de no consumirem tudo o que foi produzido pelos estabelecimentos, deixam comida no prato. No restaurante self-service Joo Rosa, na Regio Centro-Sul de Belo Horizonte, onde cerca de 350 refeies so servidas por dia uma mdia de 120 quilos de comida , a perda chega a ser de 16% do total produzido, cerca de 20 quilos por dia. Em dinheiro, o prejuzo dirio varia entre R$ 600 e R$ 800. No ms, considerando 20 dias teis, pode chegar a R$ 16 mil. Alm da comida que sobra no buf e vai para o lixo, em funo das normas da vigilncia sanitria que no permitem o reaproveitamento, a scia-proprietria Catarina das Graas Artur, conta que parte do seu faturamento tambm vai embora com aqueles que colocam a comida no prato, mas no comem. Cerca de 30% no consomem tudo o que servem, afirma. Perdas de dinheiro e horas no trnsito O brasileiro tem demorado cada vez mais para chegar ao trabalho. O desperdcio de tempo no trnsito, sobretudo nas metrpoles, pode superar uma hora a depender do trecho percorrido. Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (Ipea), em parceira com a Universidade de Oxford, mostra que a mobilidade urbana pune principalmente os habitantes das cidades mais populosas, onde a renda per capita maior e a proporo de pessoas com carro tambm. Nos ltimos 20 anos, o tempo gasto no trajeto aumentou 4,5% no Brasil. Esse percentual cresceu ainda mais em Braslia e em Belo Horizonte, onde as taxas foram de 6,2% e 6,5%, respectivamente. A pesquisa mostra que, em reas metropolitanas, o deslocamento do brasileiro at o trabalho saltou de 36 minutos, em 1992, para 38 minutos. Em cidades como So Paulo e Rio de Janeiro, passou de 38 minutos para 43, em mdia. No Distrito Federal, o tempo saiu de 33 minutos para 35 em cada deslocamento, enquanto em Belo Horizonte variou de 32 para 34 minutos. Transformando tempo em dinheiro, a estimativa que, ao passar 38 minutos no trnsito, o brasileiro deixe de receber R$ 6,65, o equivalente a pouco mais de meia hora de trabalho. O clculo considera rendimento mdio real, de R$ 1.848,40, divulgado pela Pesquisa Mensal de Emprego de julho, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE). Esse valor dividido pelas 176 horas trabalhadas no ms (44 semanais, segundo a CLT), que resulta na hora de trabalho em R$ 10,50. O tcnico do Ipea responsvel pela pesquisa, Rafael Henrique Moraes Pereira, destaca que o tempo de deslocamento nas reas metropolitanas do Brasil aumentou 4% para os mais pobres e 15% para os mais ricos. A pesquisa revela que com o passar dos anos, os brasileiros de maior renda aumentaram o tempo que ficam no trnsito. At 1992, o deslocamento dessa parcela da populao era nove minutos menor que o registrado pela fatia de baixa renda. Essa diferena, agora, caiu para seis minutos. Muitas cidades esto se espraiando, o que aumenta as distncias para todos. No caso dos ricos, os condomnios esto ficando mais distantes, explica. Na pesquisa, Pereira ressalta ainda a importncia de investimentos em transporte urbano. Curitiba e Porto Alegre, que nos anos 1990 investiram na rea, praticamente mantiveram o tempo mdio de viagem dos habitantes. No existe sada se no repensarmos o transporte pblico. praticamente impossvel enxergar uma taxa de mobilidade saudvel nas grandes cidades em funo da pouca oferta de transporte, comenta. Cansados de acordar at trs horas antes do expediente e ainda enfrentar filas interminveis na estao do metr, o representante comercial Hlcio Lemos e a esposa, a publicitria Rafaela Cristine Lemos, optaram por fazer o trajeto de casa para o trabalho de carro. Para isso, perdem quase duas horas no trnsito. De metr e nibus ainda pior porque esto sempre cheios e perdemos muito tempo esperando um veculo mais vazio, conta Hlcio. No fim do trajeto, j estamos bem cansados e perdemos um pouco da produtividade no trabalho, sem contar o estresse, completa Rafaela. A vontade do casal transformar o tempo perdido em atividades ou em mais tempo para dormir, mas o que acontece o inverso. Acabamos trabalhando mais para no pegar o horrio de rush, ficamos mais tempo no trabalho, lamenta Hlcio. (CM)