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Assunto: O plstico ficou ecolgico
País: Brasil
Fonte: SETOR RECICLAGEM
Data: 3/2014
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://www.setorreciclagem.com.br/materiais-biodegradaveis/o-plastico-ficou-ecologico#.UyX-dvldXE0
Curiosidade (texto):
Matrias-primas renovveis como cana-de-acar e milho so usadas para produzir plsticos menos agressivos ao meio ambiente. No tempo que voc levar para ler esta reportagem, cerca de 50 000 sacolinhas plsticas sero consumidas no Brasil. A mdia nacional de 1,5 milho por hora. Embora representem pouco individualmente, os saquinhos de supermercado formam um volume enorme de lixo, que pode demorar vrios sculos para se decompor no ambiente. Como reduzir o impacto causado pelo plstico na natureza uma preocupao crescente. Por isso, ganham cada vez mais espao as iniciativas de produzir plstico a partir de matrias-primas renovveis, como a cana- de-acar e o milho. Universidades e empresas trabalham em projetos conjuntos para identificar novos materiais e formas de melhorar as aplicaes dos plsticos de origem renovvel. Existem vrias linhas de pesquisa e produo, que geram produtos reciclveis e/ou biodegradveis. Uma pea plstica que ser usada por muitos anos, por exemplo, no precisa ser biodegradvel, mas importante que seja reciclvel. J uma sacola de supermercado, que provavelmente ser usada para acondicionar lixo domstico, deve ser biodegradvel. Nos laboratrios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paran, os pesquisadores produzem plsticos a partir de amido de mandioca. Os estudos j so feitos h dez anos e nos ltimos quatro eles passaram a incorporar tambm uma porcentagem de fibra de cana-de-acar. Comeamos a ver que havia dificuldades na produo porque a mistura no era adequada para o processo industrial, diz Fbio Yamashita, professor do departamento de Cincia e Tecnologia de Alimentos da UEL. Mais recentemente, os pesquisadores decidiram misturar o amido de mandioca a um polmero fabricado pela Basf ainda com origem petroqumica, o Ecoflex. O resultado foi um produto com algumas das caractersticas de que a indstria precisa. Com a mistura foi possvel testar o uso do plstico biodegradvel em atividades no campo. Os principais usos at agora foram para a cobertura de campos para a plantao de morango, o ensacamento de goiabas na fase de crescimento, para evitar o ataque de pragas, e a embalagem de mudas de plantas medicinais, em saquinhos que geralmente so retirados antes do plantio. Os testes nos campos de morango foram feitos em escala commercial e mostraram que preciso calibrar a velocidade de degradao do filme plstico. Ele comeou a se deteriorar antes do tempo, afirma Yamashita. Na Universidade Federal de So Carlos (UFSCar), no interior paulista, h estudos na mesma linha. A engenheira de materiais Marlia Motomura trabalhou com amido de mandioca, fibra de coco e serragem de madeira. Ela misturou as matrias-primas ao Ecoflex para ampliar as opes de uso do plstico biodegradvel, que pode ficar mais rgido ou flexvel, por exemplo. Essas caractersticas so fundamentais para determinar que tipo de produto final possvel produzir. A aplicao ainda restrita. Apenas as peas feitas por processo de extruso j esto sendo vendidas, diz Marlia. A INDSTRIA INVESTE PESADO Diante da demanda global por attitudes mais verdes, as empresas precisaram se munir de alternativas para oferecer ao mercado. A Braskem, oitava maior petroqumica do mundo, abriu em setembro do ano passado sua primeira filial destinada a produzir apenas plstico verde. A fbrica, que fica em Triunfo, no Rio Grande do Sul, recebeu 500 milhes de reais de investimento e tem capacidade de produzir 200 000 toneladas anuais de plstico verde. A estratgia adotada pela Braskem usar etanol como matria-prima. Depois de um processo de desidratao do etanol, a empresa obtm o eteno, empregado na fabricao do polietileno. ele que a Braskem vende a outras companhias, que podem us-lo da mesma forma que o polietileno obtido a partir do petrleo. Essa substituio semelhante troca da gasolina pelo lcool nos carros. A matria-prima renovvel. O plstico verde permite a reciclagem, mas ele no biodegradvel. O balano ambiental da produo com etanol mais favorvel. Para cada tonelada de plstico verde possvel sequestrar 2,5 toneladas de gs carbnico da atmosfera, afirma Antnio Queiroz, diretor de tecnologia da Braskem. Diversas empresas nacionais esto usando embalagens feitas com o plstico verde. Ele est nos refis do sabonete cremoso Erva Doce, da Natura; na linha Sundown, da Johnson & Johnson; e nas peas do jogo Banco Imobilirio, da Estrela. A Basf tambm est investindo no plstico ecolgico. Desde 2000, a empresa produz o polmero Ecoflex (usado nas pesquisas da UEL e da UFSCar), que est disponvel no Brasil desde 2007. Sua estrutura permite o ataque dos micro-organismos no processo de compostagem, o que o torna biodegradvel. A partir dele surgiram variaes, como o Ecobras e o Ecovio. O primeiro foi desenvolvido em parceria com universidades e com a empresa Corn Products e usa amido de milho na mistura. O segundo leva cido polilctico, derivado do cido lctico. O Ecoflex empregado pela Honda para revestir os bancos dos modelos Fit e New Civic. J o Ecovio est em sacolinhas de supermercado. Quem tambm usa o cido polilctico a Cargill, que fabrica nos *Estados Unidos o biopolmero Ingeo, que similar ao PET das garrafas plsticas e pode substitu-lo em diversas aplicaes. O bioplstico tem o maior nmero de opes de descarte ps consumo. Ele pode ser reciclado mecnica ou quimicamente e biodegradvel em condies de compostagem, diz Walcinyr Bragatto Neto, gerente de produto da Cargill.O plstico foi empregado na loja conceito da Track&Field, que vende roupas esportivas,em Nova York. Todas as peas da loja ficam expostas em tubos plsticos presos s paredes. Alm de facilitar o estoque e a exposio das peas, as belas embalagens so reutilizveis. SUBSTITUIO A CONTA-GOTAS Por mais que surjam opes viveis de plstico feito com matria-prima renovvel, a troca total a longo prazo ainda vista como improvvel. uma utopia querer substituir tudo, diz Letcia Mendona, gerente do negcio de especialidades plsticas da Basf para a Amrica do Sul. O futuro dos plsticos verdes depende da escala que eles atingirem. Sem volume de produo o preo no cai, o que inviabiliza a ampla adoo. Hoje, o plstico ecolgico custa pelo menos 20% a mais que o de origem fssil. A estimativa que chegue a apenas 20% do total de plsticos produzidos no mundo at 2030. Enquanto a abrangncia no aumenta, uma sada no usar plstico quando h outras opes. Nos ltimos 18 meses, 5 bilhes de sacolinhas plsticas foram substitudas por ecobags ou caixas de papelo. J um nmero e tanto. *Enquanto no Brasil a cana-de-acar usada na produo de plstico verde, nos Estados Unidos a principal materia prima o milho. Aqui a estimativa de produo para 2010 foi de 52,5 milhes de toneladas. A produo industrial recebe uma parcela pequena (9%) e a maior fatia vai para a criao de animais (75%) fonte: Abril - Planeta Sustentvel