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Assunto: Aterros sanitrios: ser que existe soluo?
País: Brasil
Fonte: The So Paulo Times
Data: 6/2015
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://www.saopaulotimes.com.br/sp/aterros-sanitarios-sera-que-existe-solucao/
Curiosidade (texto):
Uma notcia me chamou ateno nesta semana. Na abertura da 18 Marcha em Defesa dos Municpios Brasileiros, que aconteceu em Braslia, alguns prefeitos e presidentes de associaes pediram apoio do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, para, entre outros temas, prorrogar a Poltica Nacional de Resduos Slidos (PNRS) (Lei 12305/2010), especialmente a parte que trata do fim dos lixes a cu aberto e a instalao de aterros sanitrios nos 5.568 municpios brasileiros. O prazo inicialmente proposto na PNRS previa a erradicao dos lixes at setembro de 2014, o que no ocorreu. Atravs de uma Medida Prvisria este prazo foi estendido at 2019. No entanto, considerando que no foram introduzidos quaisquer outros incentivos, penalidades e estratgias para alcanar este objetivo, pode-se concluir que no haver mudanas significativas em relao ao cenrio atual. A menos, claro, que novas estratgias envolvendo as trs esferas de governo e a iniciativa privada sejam estabelecidas de forma objetiva para implantar solues que levem a total erradicao dos lixes. De acordo com pesquisa feita pela Confederao Nacional de Municpios (CNM), no primeiro trimestre de 2015, apenas 67,2% das prefeituras entrevistadas depositam os resduos slidos em lixes e aterros controlados. Muitos prefeitos alegam que no h condies tcnicas e financeiras de se construir e administrar um aterro sanitrio. Atualmente nas pequenas cidades brasileiras que se concentram os problemas com a disposio final dos resduos urbanos, em sua maiorina lixes. Os investimentos em um aterro sanitrio so elevados, isso fato! Eles envolvem no s extensas obras de terraplenagem, mas tambm instalaes de apoio como escritrios, portaria, balana, etc. Alm da implantao de dispositivos para garantir o controle e minimizao de riscos de impactos ambientais como impermeabilizao de base (geomembrana de PEAD), sistemas de drenagem de efluentes lquidos e gasosos e sistemas de drenagem de proteo superficial de taludes (canaletas e cobertura vegetal), bem como sistemas de monitoramento geotcnico e superficial. Estes investimentos, em funo do porte e das caractersticas do aterro sanitrio, podem superar valores acima R$ 100 milhes, o que atualmente inviabiliza a implantao de aterros de pequeno porte (inferiores a 300 toneladas por dia). No somente por este aspecto, mas tambm pela importncia de garantir a sustentabilidade ambiental destes empreendimentos nas respectivas bacias hidrogrficas, que normalmente abrangem vrios municpios. Onde entra a coleta seletiva nesta discusso? Essa a soluo? No a curto prazo! A coleta seletiva se insere dentro do contexto de buscar o reaproveitamento dos resduos com a reciclagem. Desta forma possvel contribuir com a minimizao da quantidade de rejeitos a serem enviados para disposio final, ou seja, o aterramento. No pode haver dvida que a mdio e longo prazo a contribuio da coleta seletiva importante e sempre vivel face relevncia que tal operao tem na efetiva gesto integrada dos resduos slidos de uma regio constituda por vrios municpios (Associao ou Consrcio de Municpio). Os vrios nveis de governo podem contribuir com os ajustes necessrios na legislao, determinando prazo maior, por exemplo. Nas adequaes de regionalizao, nos incentivos econmico-financeiros para a implantao dos aterros compartilhados e nos incentivos a capacitao tcnica de gestores e operadores dos sistemas. Hoje, o principal problema dos aterros ainda o da concepo do projeto, erros de implantao e falta de capacitao tcnica para gesto, operao e controle. Enquanto o trabalho no for estratgio e de planejamento, continuaremos prorrogando o prazo. Por Francisco Oliveira, Engenheiro Civil e Mestre em Mecnica dos Solos, Fundaes e Geotecnia e fundador da Fral Consultoria.