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Curiosidades


Assunto: Natureza pode retornar a aterros de lixo desativados
País: Brasil
Fonte: Folha de So Paulo
Data: 4/2002
Curiosidade (texto):
Natureza pode retornar a aterros de lixo desativados, afirma estudo da Folha de S.Paulo, no Rio Um aterro sanitrio pode, sim, virar uma rea de lazer e esportes ou um parque com rvores de grande porte. Tudo isso sem trazer riscos ao ambiente ou sade humana. Tambm possvel cultivar plantas alimentcias em reas onde se depositava lixo. Essas so algumas concluses de uma dissertao de mestrado defendida na Coppe (Coordenao dos Programas de Ps-Graduao em Engenharia da UFRJ). O estudo, de autoria do engenheiro agrnomo Jlio Csar da Matta, foi desenvolvido com base em uma experincia realizada no antigo aterro sanitrio de Santo Amaro (zona sul), fechado em 95. Em seus 19 anos de existncia, o aterro acumulou mais de 16,2 milhes de toneladas de lixo, formando um monte de 115 metros de altura em um terreno de 300 mil metros quadrados. Nesse ambiente aparentemente inspito, foram plantadas cerca de 2.400 mudas de 24 espcies -parte delas nativas da mata atlntica originria da regio. Para aumentar as chances de sobrevivncia dos vegetais, microorganismos (bactrias e fungos) foram inoculados nas mudas. Cerca de 80% delas germinaram normalmente. Os metais pesados (chumbo, zinco, cromo, cdmio, selnio e outros) contidos no chorume -lquido txico que escorre do lixo acumulado- no foram absorvidos pelas razes das plantas em quantidades significativas. Alguns desses metais podem causar cncer e doenas neurolgicas. Com o crescimento da vegetao experimental em Santo Amaro, novos moradores surgiram no aterro, como cobras, gavies, sabis, pres e lagartos. Aplicaes prticas do experimento podem surgir em breve. Segundo o engenheiro da Enterpa (empresa terceirizada para administrar o aterro) Denis Augusto Afonso, a companhia deve aplicar os resultados da pesquisa em outros depsitos em manuteno. Parques nos aterros Na capital paulista, uma lei determina que todos os aterros sejam transformados em parques a partir de 5 a 10 anos aps a desativao do local. Depois disso, a responsabilidade passa Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Esse perodo entre o fim do aterro e o surgimento de espaos verdes chamado de "tempo de manuteno". Nele, o Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana) drena as substncias txicas provenientes dos detritos. A drenagem realizada atravs de valas que escoam o chorume e de tubos verticais enterrados no cho para liberar os gases. O tratamento do chorume a principal dificuldade da prefeitura nos aterros. Sem dispor de tecnologia eficaz pra trat-lo no local, a Secretaria de Servios e Obras transporta o chorume a estaes de tratamento da Sabesp, onde ele diludo no esgoto. Estima-se que o pas produza cerca de 70 mil toneladas de lixo por dia. Segundo o IBGE, no Brasil inteiro cerca de dois teros dos resduos recebem tratamento tido como adequado